Thursday, June 26, 2014

[Reviews] Game of Thrones - 4.10: The Children [Season Finale]


Da trilha sonora aos efeitos especiais, The Children foi o episódio mais épico de Game of Thrones...

Quando os produtores prometeram o melhor season finale da série, eu como leitor dos livros já sabia muito bem o que esperar desse décimo episódio. Já sabia quais os caminhos que seriam seguidos e traçados e tinha uma noção muito boa do que apareceria na telinha. Mas como sempre GOT se mostrou uma produção que vai muito além da sua obra, casa perfeitamente com ela e consegue manter a expectativa mesmo entre aqueles que já sabem o que vai acontecer, e ainda brinca conosco, as vezes sadicamente, outras, magicamente.

O grande problema de GOT é que por ser muito grande, ela acaba se tornando um pouco superficial em algumas passagens. Você passa tanto tempo sem ter conexão com algum determinado segmento, que quando ele reaparece, as coisas ficam um pouco desconexas com tudo o que já estava sendo desenvolvido anteriormente. Ou seja, o grande desafio para o telespectador é que ele não poderá nunca assistir a essa série sem pretensões. E é exatamente nesse aspecto que eu vejo certa superficialidade, nada é muito aprofundado, mas não por falta de qualidade e sim por falta de espaço. Veja bem, são páginas e mais páginas de momentos que precisam ser adaptados para a série e que infelizmente não chegam as telas por falta de tempo. 

“Indo sozinha, você não vai durar um dia lá fora.”— Cão 
“Vou durar mais do que você.” –Arya Stark
Por outro lado, existem passagens na própria série que desafiam os livros e acabam se saindo melhor. Arya e Cão de Caça foram a joia dessa temporada, na verdade, a segunda joia, a principal foi Tyrion. Mas entrando nesse núcleo em particular, muito do que existe na série inexiste nos livros. A relação dos dois foi muito mais próxima da de um pai e filha do que jamais foi nas páginas escritas por George R.R. Martin. Apesar de tudo, o choque ao ver Cão e Brienne se confrontando e a revelação de que Arya está viva (nos livros ninguém nunca chega a saber, pois o Cão morre sem que ninguém a veja) foi um momento tão forte, pois ambos os personagens estavam em risco eminente. Um que já tinha o destino de certa forma selado e Brienne que ainda é um mistério. Por isso, tudo foi bem satisfatório. Arya sempre teve o nome de Sandor Clegane em sua lista de mortes desejadas, mas realmente ambos desenvolveram um companheirismo maravilhoso, existiu naquele momento de silêncio e súplica o perdão e a sentença, todos juntos. Sabendo então que Arya está mais próxima de um destino mais aventureiro em Bravos, só fico contente com as possibilidades da próxima temporada.

Muito interessante ainda é ver a relação entre Daenerys e seus dragões. Danny passou de libertadora e quebradora de correntes para aquela que estava colocando grilhões em seus próprios filhos. Existe aqui uma poesia trágica entre o poder e a manutenção dele. Os próprios escravos mostram toda a dificuldade em se governar. Esse é o núcleo mais político que existe na série, em todos os aspectos explorados. Infelizmente ficamos muito no ar com tudo o que aconteceu e imagino que a próxima temporada será focada em aprofundar isso, o núcleo de Danny depois da segunda temporada e a casa dos Imortais ficou galgado em uma exploração de explosões, com os dragões, sempre. A própria atriz precisa ser mais desafiada, sem o auxílio de efeitos especiais, já que nesse episódio eu não gostei muito da forma amadorística com que ela se despediu de suas crias na catacumba. Foi um pouco sofrível e não no sentido literal da cena.


Uma das coisas que mais gostei nesse episódio foi ao redor do núcleo do Bran e cia. Sempre gostei muito de fantasia e apesar de magia existir em GOT, sempre foi um tanto sutil e mais puxada para realidade, com breves momentos de surto. Bran dominando suas habilidades e se encontrando com "as crianças" foi absolutamente magnífico. Isso sem comentar a forma com que decidiram mostrar nosso corvo de três olhos, um velho enraizado no salgueiro. Até mesmo a trilha sonora nesse momento foi carregada de um potencial gigante. Parecia mais uma cena de uma grande produção cinematográfica. O que fica aberto para a próxima temporada é o treinamento do nosso jovem garoto Stark e espero que o verdadeiro jovem garoto Stark, Rickon, apareça também. 

Lá na muralha as coisas parecem ter se normalizado, apesar de prometerem mais fogo (se me permitem o trocadilho) para a quinta temporada. Melissandre não é uma personagem que se mantém calma e durante uma fogueira humana gigante ela com certeza deve ter vislumbrado algo referente ao Jon Snow, aquela olhadela não me engana. Falando no Snow, ele finalmente provou para todos quem ele realmente é, um homem honesto e justo. Agora só falta todo mundo aceitar logo (porque dói menos) e o reconhecer como o único e digno líder da Patrulha da Noite.


Por último e nunca menos importante, Tyrion. Peter Dinklage fez um trabalho fenomenal nessa temporada e fechou com chave de ouro sua participação no quarto ano da série. O confronto com seu pai, a mágoa, a raiva e o desprezo que ele finalmente devolveu foram a cereja no bolo desse episódio. Não tinha como não compreender cada um dos atos que ele teve. Shae merecia mesmo morrer, apesar de ter recebido um tratamento bem mais humano na série, nos livros ela não passa de uma mulher interesseira. Ouvir dos lábios dela a palavra "meu leão" que antes era dita com amor (para ele) e depois com escárnio (no julgamento), realmente deixaria qualquer um louco. 

Tyrion sempre buscou a compreensão, o reconhecimento. De todos os Lannisters ele realmente era o único que merecia tal tratamento por parte do pai. Ele deveria ter sido amado e respeitado, sua inteligência e sagacidade representavam tudo aquilo que os gêmeos jamais possuíram, apesar dos esforços em humanizar o Jaime. Logo, ver que ele sempre esteve em julgamento por ser um anão e imaginar o quão diferente tudo poderia ter sido caso ele tivesse nascido com estatura "normal" é apenas uma das flechadas que ele deu no próprio pai. Tywin morreu humilhado, com o nome de sua família na merda (literalmente). Dois filhos que são amantes, um outro que matou o sobrinho e o próprio pai. Sim, o nome é o que fica e o dos Lannisters nunca mais será como Tywin quis e tanto trabalhou e destruiu para que fosse. 

“Eu sou seu filho. Eu sempre fui seu filho.”—Tyrion Lannister

Sendo assim, concluo essa review pontuando que a série soube muito bem exceder minhas expectativas para esse ano. Entregou mortes marcantes, Joffrey e Víbora Negra, nos dedicou dois episódios épicos, com o nono e o décimo fechando os acontecimentos principais e especialmente, abriu portas com infinitas possibilidades para o próximo ano.
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