Tuesday, May 13, 2014

[Reviews] The Originals - 1.21: The Battle for New Orleans


O caminho foi traçado e o sangue irá jorrar

Em uma temporada praticamente impecável, The Originals prepara o terreno para sua primeira season finale, aquela que demonstrará se a série merece ou não o título de uma das melhores estreias da CW, nessa última fall season, que foi tão aguada. TO construiu sua trama com um ritmo bem desenvolvido e tramas interessantes, apesar de ter acelerado muito, ela provou ser capaz de não perder o rumo. Afinal, quando a velocidade está muito alta, qualquer derrapada pode ser fatal. E esse episódio só salienta todo esse controle.

Quando revejo o panorama geral da primeira temporada de TO, observo que tudo o que a série propôs ela conseguiu entregar sem muitas falhas. Obviamente, sua trama se beneficiou dos erros de The Vampire Diaries em seu ano de estreia e conseguiu nos entregar exatamente tudo o que nos conquistou na sua série mãe. Não obstante, existiram falhas e prevejo que a série vai acabar precisando de muito mais se quiser manter sua qualidade.

O que tivemos nesses últimos três episódios exemplificou que a força de TO está em suas tramas ligeiras e bem compassadas. Porém, para que o produto seja alcançado, muitas vezes o desenvolvimento de personagens foi sacrificado. Klaus foi incessantemente jogado de vilão para anti-herói, repetindo em uma espécie de purgatório de personalidade a mesma faceta que vimos em TVD. Infelizmente não vejo uma alteração nesse quesito. Klaus ainda passa pelos mesmos problemas que o desenvolvimento de Rebekah na série, não avançar e sempre repetir a mesma sequência, que envolve erro, lição e redenção. Ciclicamente o personagem não passa disso, mas é preciso ir além.

E de tudo isso o que eu tiro é o seguinte, nunca confie em uma redenção. Ninguém, quer seja em TVD ou em The Originals, soube lidar com o personagem de uma forma diferente. Sempre estaremos reféns de um Klaus que passa por momentos, apenas nuances de mudança. No final ele acaba se tornando exatamente quem nós sabemos que ele é. Isso é ruim? Em partes. Klaus vai precisar mudar, o personagem precisa crescer. Não espero um “da água para o vinho” logo na temporada de estreia, mas sacrificar as lições que o personagem aprende, as linhas que ele cruza (ou não) para chegar a seus objetivos, em prol de um fator loucura, uma hora vai cansar.

Por exemplo, as mudanças que ele passou até chegarmos nesse penúltimo episódio foram completamente desprezadas. Nosso personagem principal tem estopim, ou falta dele, apenas quando o roteiro precisa, caso contrário ele não cresce e não avança. Revertido para Klaus infantil e imaturo, é só uma questão de tempo até termos de novo alguma esperança de mudança, uma que não podemos nunca nos apegar. Ora rancoroso, ora cheio de perdão no coração e desejo de paz. O resultado é que sempre estaremos desconfiados e nunca poderemos aproveitar uma possível transformação, eu mesmo sempre que vejo algo bom no Klaus já me preparo para a decepção. Logo, onde estará a imersão nos problemas e avanços do personagem? Ela não virá. 

E o que dizer de nossa Davina, que não aprendeu nada em uma temporada e lá estava a pequena, querendo rivalizar com Klaus? Acho que a garota deve ter perdido o memorando com os motivos da partida da Rebekah e do banimento do Marcel, só pode. Nada mais justifica a personagem cogitar trazer o pai do Klaus de volta. Ela estava “morta”? Estava. Mas esse tipo de informação crucial não poderia ser desprezada. Infelizmente isso foi uma saída fácil para o roteiro, que prezou pela ameaça ao invés de utilizar qualquer outra bruxa. Monique tem motivos de sobra para querer atazanar a vida do Klaus, entretanto, visando não deixar a bruxinha Davina no ostracismo, a utilizaram para esse intento.

Claro, esse episódio foi ótimo e colocando esses deslizes a parte gostei muito de como tudo foi conduzido. Felizmente para nós, Francesca conseguiu evoluir de sua posição como avulsa para verdadeiro tapa na cara de todos. Desde os primórdios da Celeste na série nós ouvimos falar nessa matilha de lobisomens Guerrero, ouvimos muito e vimos quase nada. A grata surpresa no ápice do episódio elevou a tensão de uma forma fenomenal. Toda a ameaça e desespero que o momento tentou passar, foi de fato, atingido pela composição geral das cenas.

Até a traição da Genevieve foi bem utilizada. Nós sabíamos que ela não queria ser responsável pela morte de uma criança, acreditamos em uma possível redenção, já que esse é o mote favorito da série (depois da família é tudo o que importa, claro). Então, acompanhar o sofrimento da bruxa e vê-lo se tornar puro desprezo e vingança foi sim muito bom. Se nós, que acompanhamos a série não conseguimos acreditar no lado bom moço do Klaus, imagina as pessoas que realmente sofrem na sua mão? Justíssimo o feitiço ligar Klaus aos lobisomens durante a lua cheia, dá uma dimensão maior a fraqueza que o híbrido precisa ter. No final das contas, todo mundo precisa de uma fraqueza.

Hayley não decepcionou e até mesmo a cena com a atriz se debatendo e sofrendo foi interessante. Parabéns Phoebe Tonkin, sua personagem pode ter amargado um péssimo desenvolvimento, mas você elevou a dramaticidade do medo nesse episódio. O risco real para a loba sempre foi o parto, ninguém nunca comprou a ideia de que ela fosse sofrer algum tipo de perigo verdadeiro até que a criança estivesse pelo menos, prestes a nascer. Sendo assim, é agora que deveremos chegar ao limiar do desespero.

O último episódio promete. Depois dessa construção ímpar de ‘The Battle of New Orleans’, o que nos aguarda são as consequências de dois perigos, o nascimento do bebê e o retorno de Mikael. Resta saber se a entrega será tão satisfatória quanto o caminho traçado. Tudo nos leva a entender que sim, afinal, estamos torcendo para que os personagens que nos apegamos consigam sobrevier a esse season finale, que promete ser banhado a sangue e lágrimas, duas coisas que a série melhor tem a oferecer.


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