Sunday, May 11, 2014

[Reviews] Agents of S.H.I.E.L.D. - 1.21: Ragtag

As origens de Ward, Garret e Skye estão em destaque.

É sempre arriscado fazer um episódio de origem para um personagem tão perto assim do final da temporada. Afinal, acompanhamos Ward por 20 episódios para só ter esse panorama agora, porém, o que deveria ser uma quebra na narrativa só aprofundou e deu embasamento para a temida redenção do nosso aprendiz de vilão. Se é que ela virá. O que começou como uma espécie de filler terminou pontuando elementos totalmente necessários para o último episódio da primeira temporada da série.
Em primeiro lugar quero comemorar com vocês a merecida renovação. Com um começo mais morno, MAoS explorou bem seu terreno, soube superar as fraquezas e fortalecer os acertos, nos entregando (até agora) uma temporada de superações. Uma série baseada em quadrinhos e super-heróis não é simples, uma série baseada nesse universo e com uma equipe, menos ainda. Quando assistimos Vingadores nós já tínhamos passado por filmes que introduziam todos aqueles personagens. Logo, a tarefa de MAoS foi a de utilizar seus primeiros episódios da mesma maneira. Eram pequenos flashes e momentos que preparavam os telespectadores para algo mais desenvolvido.
Quando chegamos ao vigésimo primeiro episódio, muitos não querem uma história de origem. Mas nós precisamos dela. Ward não teve o mesmo tratamento que um personagem deveria ter no começo da série, mesmo que levemente, nós vimos sim alguns pontos importantes da sua vida, os abusos que ele sofreu nas mãos do irmão e toda a raiva que o até então agente sentia. Contudo, a luz da revelação de sua traição e com todos os indícios de uma redenção, esse era o único momento adequado para assistirmos o caminho traçado pelo personagem, algo que justificasse sua incursão na S.H.I.E.L.D. e participação na Hydra.
Sendo assim, Garret deixar Ward isolado por muito tempo é aceitável e indo além, é essencial. Isso o deixaria longe de qualquer controle por parte da S.H.I.E.L.D. e com uma lacuna gigantesca entre sua saída da prisão juvenil. É fácil criar uma vida falsa para alguém que relativamente não existiu durante anos, mais ainda do que fazê-lo para alguém que pode ter sido visto ou fotografado. Garret pode ser um canalha, mas ele é inteligente e extremamente calculista.
Se por um lado eu temi por essa redenção, por outro eu consigo entender bem o caminho que a série quer chegar. Ward não é totalmente vilão, mas traçou um caminho que não tem volta. Ele foi responsável pela morte de vários agentes e sentenciou Fitz e Simmons ao mesmo destino. Mesmo que o casal nerd (que não é casal) sobreviva, o que é bem obvio, em qualquer outra circunstância os dois estariam com um pé no limbo. O desespero nos olhos e na fala dos dois foi tão crível, que eu me apiedei e cheguei a pensar que Ward fosse mesmo dar um fim eminente aos ex-companheiros. Não sendo então uma redenção, mas sim uma justificativa agridoce, que coloca o personagem com pontos de piedade e bondade em uma parede completamente negra. O processo de limpeza de imagem do cara precisaria de mais episódios, o que eu vejo  é que o verdadeiro perdão aos seus crimes talvez venha com muito choro e uma passagem só de ida para o necrotério. Seria o caminho. Em outra série do Joss, um personagem passou pelo mesmo processo, Angel, mas existia lá uma diferença, o vampiro não tinha alma. Ward, ainda tem.
Porém, posso estar errado. May teve o mesmo tratamento, se vocês notarem bem. Ela não foi julgada como vilã, mas foi questionada, sua lealdade colocada em cheque e sua amizade jogada para debaixo do tapete. Esse tipo de sequência geralmente é usada para criar um momento de emoção, um pico de sentimentalismo que usualmente pontua uma despedida. Para nossa sorte, aquilo só serviu para fortalecer a amizade entre Coulson e May, nos presenteando com uma sequência absolutamente hilária de nossos Fitzon e Maymons (que por mim apareceriam em pelo menos um episódio por temporada da série). Mas a diferença entre essa redenção é que May não cometeu crimes, apenas deslizes em prol da segurança de seu amigo. Ward cruzou linhas que eticamente não devem ser cruzadas, independente da justificativa, não se explica o assassinato.
Então, enquanto imaginávamos que Ward seria um sacana assassino de cachorros (algo imperdoável), a tentativa da equipe de desmantelar o clubinho do mal foi de saudosista para risco eminente. Quando assisti Ragtag eu não sabia da renovação da série, apesar de imaginar e dar como certa existem coisas que geralmente não tem explicação e pensando em um cancelamento, eu vi todos os itens do avô do Trip como uma homenagem ao período clássico da Marvel. Aquela época em que existiam armas hipnotizadoras e outras peças que hoje em dia existem, como rádios transmissores, broxe comunicador, além de algumas que ficam no imaginário como cigarro incendiador. É uma homenagem clara, que me deixou com a pulga atrás da orelha imaginando uma não renovação. Um susto passageiro.
Comentarei rapidamente a respeito do grupo do mal, porque dediquei parte da interação Raina e Skye para minha teoria ali embaixo. Garret era o Deathlok original, a Cybertek vinha conduzindo essas experiências desde 1990 e o soro Extremis melhorado pela Raina e explorado pela Centipede serviu para estabilizar um processo de deterioração do Garret. Por uma sorte muito grande nos livramos do soro que não deverá mais ser explorado futuramente. Nesse episódio então passamos da origem de Ward, para a de Garret como vilão final da temporada e com várias dicas da onde veio a Skye. Uma pena que tivemos tão pouco do Trip. Também fica em aberto a existência do Quinn, não quero que ele seja capturado ou preso no próximo episódio, espero mais de sua participação e futuramente da de Graviton na próxima temporada. É sempre bom ter um vilão que nos importuna por mais de um ano.
O que de melhor eu tiro desse episódio foi a preocupação em fazer dele algo ágil e ao mesmo tempo compassado. Logo, eu entendo completamente a participação do Jeffrey Bell, como escritor de Ragtag. Ele esteve em T.A.H.I.T.I., Eye Spy e 0-8-4. Todos foram episódios balanceados entre rapidez e lentidão, porém essenciais para o desenvolvimento da série. E nem irei entrar nos méritos do cara em séries como Angel e Alias. Não existiu brincadeira, não existiu quebra de ritmo ou de sequência. Testemunhamos a abertura de todos os pontos do season finale, que recebe o nome de “Beginning of the End”. O Começo do fim está próximo, o fim do evento de sete episódios que nos conduziu a um dos desfechos mais surpreendentes do Universo Marvel na TV e cinema e eu estou completamente satisfeito.
Quem ou o que é Skye?
Gosto sempre de fazer algumas teorias aqui nas reviews, o próprio motivo de ter atrasado um pouco a desse episódio se deu ao fato de querer pesquisar mais a respeito do universo Marvel (que conheço bem, mas não completamente) para tentar entender quem ou o que Skye é.
Primeiro vamos pontuar o que já sabemos até agora. Skye é de origem desconhecida, isso não significa que ela não seja humana. Também sabemos que seus pais eram “monstros” e que a menina foi encontrada em uma vila, na China. Também ficamos sabendo nesse episódio que Skye e Raina tem alguma similaridade e que geneticamente ela se assemelha ao composto GH325. A atriz que interpreta a Skye disse em uma entrevista rápida que o alienígena azul encontrado na Guest House era, de fato, um Kree. Porém, Joss Whedon e outros produtores da Marvel disseram que eles não iriam trabalhar com os Inumanos no MCU (Marvel Cinematic Universe) até Vingadores 2, a qual MAoS faz parte.
Também temos conhecimento de que a Marvel interliga todos os seus filmes e produções, diretamente. Agents esteve ligada a Thor: The Dark World, Capitão América 2 e também teve respingos de Homem de Ferro 3 (tecnologia extremis), Avengers (invasão alienígena) e com a chegada de Guardiões da Galáxia e Avengers 2, mais conexões deverão surgir. Entretanto, a série não deverá dar informações que os filmes passarão. Ou seja, talvez nós não fiquemos sabendo nada a respeito de Skye nesse season finale e a informação só venha depois dos eventos de Guardiões e no tie-in de Vingadores – Era de Ultron. Entendem? Até agora a série agiu como pano de fundo, os eventos grandiosos foram nos filmes e as consequências diretas ou indiretas foram sentidas na série.
No final de Capitão América 2 conhecemos os gêmeos, Pietro e Wanda (Mercúrio e Feiticeira Escarlate). A origem dos dois não foi explorada, ainda. Só temos certeza de uma coisa, eles não serão mutantes, pois a FOX detém os direitos em cima desses, então, o que está sendo pontuado é que a Marvel entrará em sua “Era de Milagres”. Seriam humanos que geneticamente tem a predisposição a se adequarem a DNA (ou tecnologia) alienígena. A Hydra tinha em mãos o cetro do Loki, que deverá ser o combustível dos experimentos com humanos. Pietro e Wanda, assim como Skye e agora Raina, teriam essa similaridade genética.
Vamos pensar da seguinte forma, a Marvel quer nos fazer entender que não existem Inumanos – Pessoas que sofreram experiências conduzidas pelos Krees no passado – (eu ainda duvido, pois eles disseram várias vezes que existem projetos), mas pensando através da mesma ótica, podemos substituir Krees e inserir a Hydra e os nazistas. Os nazistas sempre realizaram experiências em seres humanos, eles também tiveram posse do Tesseract por um breve período e por muito tempo quiseram criar um super soldado, o Caveira Vermelha é o melhor exemplo. Isso a Marvel já pensou e introduziu bem. Ou seja, podemos estar encarando indivíduos que são descendentes de pessoas que foram utilizadas como ratos de laboratório pela Hydra durante a segunda guerra. Em suma é a mesma coisa que Inumanos, mas não é. Viram?
Passada a especulação sobre o “o que”, vamos entrar nos possíveis “quem”.
Nesse parágrafo vou comentar sobre as duas apostas mais recorrentes, Ms Marvel e Mulher-Aranha. Para que Skye fosse a Ms. Marvel teríamos que conhecer o Capitão Marvel, já que ele é responsável por dar poderes a garota. Seria Capitão Marvel o Kree azulão da Guest House? O que salienta isso é uma fala do próprio Garret, onde conseguir ver o universo é um dos poderes que o Capitão tem, a chamada “Ciência Cósmica” (Cosmic Awareness), uma percepção de ser ligado ao universo. Nosso azulão estava sem as pernas, quase morto. Logo ele pode ter sido um dos monstros citados por Raina. Então, anotem na caderneta, mas esse é um chute longe. Entrando na Mulher-Aranha (que não tem ligação nenhuma com o Homem-Aranha e pode ser usada pela Marvel), ela foi utilizada em experiências quando criança, algo que pode ter acontecido com Skye. Essas experiências foram conduzidas por seu pai quando a pequena garotinha adoeceu o que futuramente a garantiu poderes e que poderia classificar seu pai como “monstro”.
Exploradas as possibilidades mais recorrentes vou entrar em duas que eu julgo mais adequadas para a personagem. Scorpio, Sarah Garza e Ultra-Gilr.
Scorpio, ou Carmilla Black é uma humana geneticamente modificada e criada pela AIM, ela cresceu com pais adotivos (também agentes). Depois de ter os poderes liberados e matar acidentalmente o namorado ela acaba fugindo e passa a viver uma vida de nômade (tipo a Skye), mas quando descobre da morte dos pais, volta para casa. Carmilla passou a pensar que seus pais tinham sido assassinados pela S.H.I.E.L.D., mas depois descobre que eles eram agentes da AIM e acaba virando uma agente também. Ou seja, muito parecida com a trajetória da Skye na série.
Sarah Garza era uma especialista em computação da S.H.I.E.L.D. e que era uma descendente inumana. Seu poder é uma explosão de energia, só que altamente instável. Ela então recebe do Homem de Ferro (graças a intervenção da Maria Hill) uma armadura para conseguir controlar e focar seus raios de energia. Uma expert em computadores e agente da S.H.I.E.L.D, com DNA alterado e poderes liberados pela “névoa” Kree (que na série pode ser substituído pelo sangue). Alguém mais se lembra da Skye?
Ultra-Girl é mais próximo ainda da origem da Skye, porque ninguém sabe da origem dela. Ela é tida como uma híbrida de humano com kree e foi criada por pais adotivos. Por sabermos pouco de sua origem ela pode muito bem ser encaixada como Skye. Seria inédito, em que uma personagem criada para a série explicaria a origem de uma saída dos comic-books. Já pensou?
Porém, quero deixar aqui meu aviso costumeiro. Podemos estar lidando com uma personagem totalmente nova, sem ligação nenhuma com os quadrinhos. Ou pior, alguém que nunca vá revelar poderes, ou que revele um bem tedioso, tipo poder de cura.
O que casa bem com minha teoria de que os poderes de Skye só deverão ser apresentados (se forem) na próxima temporada é que a data de lançamento de Vingadores 2 é para 23 de abril. Dessa forma, imagino que o evento da segunda temporada que ligará a série ao filme acabará pontuando o mistério ao redor dos poderosos. É uma aposta. O que vocês acham?
Easter Eggs
- O primeiro protótipo do Deathlok (Garret) foi em 1990. Data do lançamento da primeira comic book do personagem, Deathlok #1.
- Todos os aparatos da mala do avô do Triplet são retirados da época clássica de quadrinhos da Marvel.
- O ator que interpreta o militar durante a explicação do Ian Quinn já esteve em X Men: First Class, lá ele também foi um militar o coronel Hendry.
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