Sunday, May 11, 2014

[Reviews] The Originals - 1.19: An Unblinking Death

Uma série sobre redenção e família.

Não é de hoje que The Originals lida com essa temática. Desde sua season premiere (na verdade muito antes) a série vem trabalhando com dois assuntos centrais, a redenção e o amor familiar. Não importa a origem do personagem, humanos, vampiros, lobisomens e bruxas estão no mesmo caminho. É interessante assistir que por mais que TO dê saltos, aposte em cenas fortes e desfechos carregados de maquinações, seu pano de fundo é um só, ou melhor, é dividido entre dois conceitos, aqueles que dizem que todo mundo pode encontrar redenção e que só através da família a estabilidade surge.
A grande realidade é que The Originals se diferencia de sua mãe TVD exatamente por pregar um estilo muito mais maduro. Apesar dos elementos que incluem romance e joguetes estarem lá, a série preza sim por uma pegada mais adulta. Afinal, estamos acompanhando em sua grande maioria, homens e mulheres crescidos, uns com mais de 100 anos nas costas. Claro, alguns desses “idosos” ainda se comportam como crianças, mas quem hoje em dia é perfeito?
Se a família original ainda rende muito, toda a matilha de lobos já precisa partir de Nova Orleans. Se não pela qualidade pequena de seus atores, mas pela falta de interesse em acompanhar mais do drama ao redor dos lobos. Tirando as piadas envolvendo cachorros, nada mais foi realmente interessante ou inteligente naquele núcleo. Tudo é bem manjado e o clima de suspense não chegou a durar meio minuto. Quem não suspeitava do lobo loirão que até agora só fez uma coisa boa em todas as suas participações, que foi aparecer sem camisa? Não sou contra um bom e velho clichê, mas esse não chegou a ser nem remotamente legal. Agora os lobos estão revoltosos e vão lançar guerra aos vampiros. Isso sim é interessante e deverá trazer uma dinâmica boa, passar um episódio inteiro lá naquele descampado, não.
Até entendo que Hayley precise de um pouco mais de destaque, já que até agora ela não fez nada a não ser desfilar sua gravidez de quinze meses. Mas criar essa imagem de liderança e poder para a personagem com quase nenhum embasamento é doloroso. Eu já disse, as atitudes mais fortes da loprenha dão mais profundidade a personagem, mas ela ainda não está tão desenvolvida assim, falta um pouco mais para que seu status de líder possa ser levado a sério. Sua ameaça ao Diego e seu papinho com o Marcel foram deprimentes. Porém, como a maioria dos lobos passou sabe-se lá quantos anos aprisionados em uma maldição é de entender a burrice.
Quando se dividiu em duas tramas centrais no episódio o texto conseguiu ser muito mais coeso. Confesso que as vezes a velocidade de The Originals pode deixar as coisas um pouco confusas. São muitas tramas se desenvolvendo e eu já havia comentado antes, isso faz com que personagens que em determinado episódio sejam os mais importantes da cidade, no próximo já sejam quase que completamente esquecidos (vide Celeste).
Trabalhar então Cami e Klaus de um lado e Elijah, Hayley e os lobos do outro foi uma forma bem agradável de ver o episódio. Nos mostrando que nem sempre o ritmo frenético com duzentas coisas acontecendo ao mesmo tempo é o que a faz boa.
Fazia um tempinho que Camille e Kieran mereciam certo destaque. No começo eu desprezei muito a humana, por achar que suas atitudes não eram justificáveis e que simplesmente não tinha espaço para a personagem. Aqui, porém, seu desespero fez com que finalmente eu conseguisse enxergar um humano de verdade nesse mix todo. Quando incluímos vampiros, lobisomens e bruxas interagindo com humanos, espera-se um pouco de confusão, de conflitos, Cami havia sido tão mal utilizada que pulou episódios inteiros hipnotizada e logo em seguida agia como se o mundo sobrenatural fosse a coisa mais compreensível. Assistir a moça completamente perdida, recorrendo a terapia de choque para tentar salvar o último resquício de família que ela tinha foi condizente a todo o choque (perdoem o trocadilho) de mundos que ela viveu. Até porque é meio estranho assistir todos os humanos se comportando como experts em assuntos místicos, né?
E é então que entramos novamente naquela discussão lá do começo da review. The Originals é sobre redenção e família. Apesar de várias vertentes correrem em paralelo, guerras entre criaturas, bruxas e o outro lado, se você parar para observar tudo tem ligação com essas temáticas. Klaus mesmo está passando por esse processo, seu problema é ser imaturo e egocêntrico demais para conseguir assimilar essas mudanças, porém, nesse episódio eu até vi um pouco de brilho em suas atitudes. Não deve ter sido fácil para o vampiro todo poderoso e que se julga o rei da cidade abrir mão da Cami após vê-la chamar pelo Marcel. A uns episódios atrás ele teria feito o que? Para ser sincero eu mesmo não sei, a instabilidade do personagem me impede de imaginar qualquer comportamento para ele. Isso eu vejo como um bom desenvolvimento, que não pode parar nesse episódio. Sou sempre tomado por uma profunda raiva quando Klaus age de uma maneira menos Klaus só para no próximo episódio sair quebrando tudo.
E Elijah, que já está parecendo um cachorrinho manso no meio dos lobisomens? Hayley sim é uma verdadeira bruxa, enfeitiçou todos os originais que passaram por sua vida. Se o dança com lobos não foi lá essas coisas, ver o Elijah correndo com o terno todo rasgado foi ótimo. O personagem precisa de mais cenas assim, menos empenhado em tentar ser o band-aid para todos os problemas de sua família e da cidade.
Logo, The Originals acerta nesse episódio em saber dosar seu ritmo e velocidade. Não podemos nos esquecer nunca que essa não é uma mini-série e que apesar de não demonstrar cansaço, o roteiro precisa ser mais contido se quiserem continuar com o fator surpresa e histórias interessantes para os próximos anos.  E tudo o que vi até agora, me convence da capacidade da série em nos manter entretidos por mais tempo.
Ps. “Existe um lugar especial no inferno para o seu tipo”. “Não é a primeira vez que ouço isso”. Boa Josh.
Ps². Se levarmos em questão a mitologia, ao transformar o tio em vampiro Cami o privou de ir para o céu e agora ele deve estar chulo da vida com a sobrinha, preso no outro lado.
Ps³. Marcel, até sem fazer nada ele me irrita. Alguém mais concorda? É, acho que não.
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