Sunday, May 11, 2014

[Reviews] Agents of S.H.I.E.L.D. - 1.19: The Only Light in the Darkness


Momento para respirar, mas não muito.

Quando Agents of S.H.I.E.L.D. engatou seu primeiro evento e graças ao grande empurrão que Capitão América deu a trama da série, muitos de nós aparecemos para de certa forma, reconhecer os méritos da produção. Agora, as coisas deverão mudar um pouco. Ainda estamos recebendo as consequências do renascimento da HYDRA, mas o foco volta a ser em nosso esquadrão. E uma coisa ficou bem clara para mim, é dessa forma que a série deveria ter tratado seus episódios no começo da temporada.
Encaramos em ‘The Only Light in the Darkness’ o tipo de momento em que a série pode se desligar um pouco do filme e focar mais nos personagens e no sentimentalismo por trás de uma vida passada e que parece tão distante para nossos agentes. Foi ótimo ver esses detalhes de personalidade sendo exemplificados. Era exatamente isso que a série precisava ter feito no começo. Não vou tapar o sol com a peneira, apesar de ter melhorado, MAoS foi muito falha. Passamos episódios e mais episódios corridos e sem muito se aprofundar na vida dos personagens, apenas Skye e Coulson tinham ganhado um pouco de profundidade, sendo que Coulson já existia bem antes da série começar e fazia parte do universo Marvel. Ward mesmo só teve o complemento de seu background no décimo nono episódio, sendo que a origem de seus problemas com a família deu as caras no oitavo, no famigerado ‘The Well’.
E qual a necessidade dos flashbacks do Ward durante a explicação? Quem está atualmente no episódio 19 já acompanha a série desde o piloto, ou pelo menos desde o inicio do evento Uprising, logo, a necessidade para ficar voltando aos assassinatos e tramoias do agente é zero. Não nos trate dessa forma Marvel. Mas se a ideia foi aumentar mais os níveis de desconfiança e raiva, bom, nesse caso a missão foi cumprida com excelência. A todo momento eu queria arrancar a cabeça dele e espetar em uma lança.
Se um dia a ABC decidir pensar em uma possibilidade de Spin-Off para MAoS, eu quero Fitz e Triplet a frente dessa série. As interações entre os dois são simplesmente impagáveis e me fazem querer Triplet como personagem fixo. Melhor ainda foram as respostas dadas no detector de mentiras. Finalmente Fitz assumiu, para nós pelo menos, que o que ele queria mesmo era a Simmons dentro de uma caixa, em uma ilha deserta. Apesar de ser um pouco estranho, preciso dar o braço a torcer, é de fato romântico.
Blecaute, conforme mencionei nos easter eggs da review passada é o vilão utilizado nesse episódio. É interessante ver que a série deu um passo além e não se preocupou em criar todo um episódio de origem, como fizeram com Blizzard e o Graviton, as vezes só um vilão basta, não precisamos conhecer a vida de todos eles. Boa sacada. Além de tudo, o elevaram ao nível de manipulação da matéria negra, o que mostra exatamente o que a HYDRA vinha tentando fazer a muito tempo, estudar poderes e conseguir de certa forma manipulá-los. A série está mantendo muito bem toda a sua mitologia intacta e sem brechas, um serviço que preciso dizer, não é fácil, especialmente com tantas outras vertentes correndo ao mesmo tempo. Gostei até do desenvolvimento da ação no final do episódio, que prezou mais para a sensação de perigo do que a um show imediato e cheio de efeitos.
O mais interessante, porém, é ver como anda nossa turma, mentalmente. As motivações dos nossos personagens são bem difusas. Com um destaque para o momento entre Ward e o agente Koenig. Não sei vocês, mas eu estava contando os segundos de cada cena e imaginando o desfecho. Fica a todo o momento aquela impressão dupla de que Ward pode encontrar sua redenção, apesar de todas as indicações contrárias a isso no final do episódio.
A relação entre May e Coulson continuou descendo ladeira abaixo. Eu não estava conseguindo assimilar o tratamento que o agente vinha desprendendo a nossa Cavalaria. Entendo a sensação de traição, mas se a todo momento Coulson vem pregando um comportamento diferente face ao caos enfrentado por que ele não segue seu conselho e age da mesma forma com May? A explicação é simples, tudo isso é bem característico de um homem tão emocional quanto ele, foi muito bom ver que seu crescimento nesse episódio o fez enxergar esse aspecto negativo de si mesmo. E isso só deixa ainda mais clara a imagem de que May pode estar chegando perto de um momento bem doloroso. Ser tão desprezada assim não vem de graça, ainda mais quando o arrependimento vem só depois de sua partida. A função desse episódio era essa, dar mais profundidade a esse que é sim, o melhor personagem da série. Hail Coulson!
Outro ponto legal é ótima sacada da Simmons em dizer que é da CIA, não podemos nos esquecer de que o mundo está vendo a S.H.I.E.L.D. como uma agência terrorista. Gritar que faz parte dela seria pior ainda. Outro ponto que vale e muito discorrer é sobre a missão que os agentes estão tendo. Lembro de ter dito antes e irei mais uma vez, a série está seguindo de uma forma a deixar aberta sua renovação e continuação do grupo. Existem ameaças a serem controladas e mais do que nunca, a necessidade de um grupo especial que possa lidar com esses vilões. Não dá para assumir que Thor, Capitão América e Homem de Ferro ficarão encarregados de prender bandidos menores e a policia comum não seria capaz disso. Logo, utilidade e material para dar sequência à série existem e esse episódio nada mais foi do que a prova cabal disso.
Ainda melhor é saber que por ser uma série que leva o nome Whedon, as possibilidade de rever o elenco das finadas, Buffy, Angel, Firefly e Dollhouse são grandes. Melhor ainda sabendo que a Summer Glau está atualmente em uma série da concorrente e não poderá colocar os pés em Agents, nada tira da minha cabeça que aquela moça é pé frio. Amy Acker, interesse amoroso e mulher do violoncelo não só foi ótima, como superou todas as expectativas colocadas em cima de uma história que começou lá em Vingadores, quando o Coulson “invade” a torre Stark e conta a Pepper que estava saindo com uma violoncelista.
Coulson mais uma vez sendo pontuado como um ótimo líder. Se me permitem, muito melhor que qualquer liderança que a S.H.I.E.L.D. já foi capaz de produzir. Maria Hill (que vai dar as caras na série no próximo episódio) sempre foi bem detestável em praticamente todos os arcos de quadrinhos em que apareceu. A minha última má recordação dela foi na saga dos X-Mem: Batalha do Átomo (que recomendo muito). Na série, porém, até agora sua personalidade é bem rasa e não deve ser de grandes conflitos. Contudo, não consigo pensar em outra coisa além dos confrontos ideológicos que Coulson terá com qualquer futuro agente de nível alto. É evidente que o comportamento dele é sempre em prol do que é certo e justo, uma agência (mesmo desmantelada) como a S.H.I.E.L.D. quase sempre precisa passar por cima de conceitos morais para atingir seus fins. De qualquer forma, quanto mais problemas, melhor.
Esse episódio foi bem mais emocional e menos frenético. Exatamente o tipo de abordagem que eu esperava da série. Ainda estamos encarando uma produção baseada em quadrinhos e sitiada em um mundo caótico. Logo, mesmo que os momentos de sentimentalismo tenham vindo de May, Coulson e a violoncelista, acredito que conseguiram dar uma balançada boa e uma ótima diversificação de dinâmica para a série.
De todas as mortes desse episódio, a melhor de todas foi do Ego do Ward quando Skye diz que não existe pressa em fazer dos dois um “nós”. Apesar desse momento ter sido meio conduzido com um flerte entre ambas as partes, foi legal não ter Skye, tão independente, se jogando nos braços de um homem. Existem séries que precisam aprender a ver suas mulheres dessa forma, com força e garra e não somente atrás de um par romântico para a eternidade. Romance é parte da vida de qualquer pessoa, umas com maior intensidade e outras com menos, de qualquer forma, não é o tipo de coisa esperada para uma série que acompanha a vida de agentes. Por isso, prefiro que as tensões subam cada vez mais e os casais fiquem escondidinhos, no fundo mesmo, sem maior destaque.
De toda forma esse episódio serviu para dar tanto sequência, quanto um final para os eventos que seguiram e precederam o filme do Capitão América. Sequência por que o último episódio “Beggining of the End” marca a conclusão do Uprising e fim, por que agora estamos lidando diretamente com as consequências e não mais com o desenrolar desse plot. Ou seja, o ritmo volta a cair, mas apenas momentaneamente. No próximo episódio entraremos na reta final da série, faltando depois apenas o penúltimo e último episódios até a conclusão. Logo, não reclamo dessa “calmaria”. A série, por exemplo, nos fez gostar do agente Koening só para termos um motivo a mais para odiar Ward e esquecer completamente qualquer chance de redenção. E Skye, que fez a coisa sensata e entrou no jogo ao invés de tentar nocautear um agente muito mais inteligente e preparado do que ela? Boa garota! E MAoS, esse seu planejamento está ótimo.
Ps. Melinda Juliane May já foi casada. Cadê backstory? Quero pra ontem, na minha mesa. Obrigado!
Ps². Você está em uma ilha deserta e com uma caixa, o que você gostaria que estivesse dentro dela? No meu caso, preciso dar um abraço na Simmons por que eu também queria a Tardis.
Ps³.Um detector de mentiras que Romanov não poderia vencer. Isso sim é um conceito 100% aproveitável para qualquer espião do nível da Viúva Negra. É pra todo mundo respeitar, mesmo.
Ps4.Toda a cena com o som do violoncelo ao fundo foi de deixar os cabelos da nuca em pé. E explodir o vilão? Parabéns Agents!
Easter Eggs
- As citações a Winter Soldier não param. Alexander Pierce (perguntado na entrevista do detector de mentiras) foi o líder da S.H.I.E.L.D. até ser revelado no filme que ele era na realidade, a mente por trás da HYDRA.
- Bruce Banner, criador da tecnologia utilizada para confrontar o Blecaute. O Hulk mais uma vez sendo citado na série.
- Projeto Insight também é conectado o filme Winter Soldier e é a tecnologia que a Hydra utilizou para construir seu raio da morte.
- A mãe da May pode ser uma agente da Alpha Flight, que já foi citada na série antes e é uma agência canadense equivalente a S.H.I.E.L.D., mas em menor escala.
- O avô do Tripplet fazia parte do “Howling Commandos”. Grupo pertencente ao primeiro filme do Capitão América.
Agents of S.H.I.E.L.D. 2
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