Sunday, May 11, 2014

[Reviews] Once Upon a Time - 3.19: A Curious Thing


Aquele momento em que eu pensei estar assistindo ao season finale da série, de novo.


Não é nada simples entregar um evento grandioso por temporada, entregar dois já é muito e isso me faz jogar as expectativas lá no alto para o final de temporada de Once Upon a Time. A verdade é que todo esse décimo nono episódio serviu para responder várias das perguntas levantadas em New York City Serenade, ou o episódio que eu carinhosamente gosto de chamar de reset da série.

Isso me faz questionar OUAT em vários aspectos. Será que essa foi a mesma equipe que trabalhou no começo da temporada? Onde estavam essas ideias e dinâmicas lá? Eu não consigo ver nenhuma. Tudo bem, vamos realmente virar a página e deixar de lado aqueles momentos de dor e sofrimento e olha que temos um parto a caminho, dor e um bocado de sofrimento deverão ser algo recorrente nos próximos episódios. O que eu quero dizer, sem muita divagação é que a série conseguiu passar em um único episódio elementos que fazem parte da cartilha de um desfecho de temporada.

Entendo que muitas pessoas acabem reclamando eventualmente de que a série recorre a muitas muletas, tais como a magia. Em uma série que gira ao redor de contos de fadas, isso é aceitável. Existem deslizes? Claro. OUAT não é perfeita (poucas séries realmente são), mas os momentos que vivemos são recompensadores ao ponto de ofuscar alguns erros. Erros como o tratamento dado a Aurora e Philip. No momento em que Zelena os transforma em macacos ninguém mais deu a mínima, simplesmente voltaram as atenções para a bruxa e fim. Pior ainda para a Belle, que de tão insignificante nem mesmo foi paralisada. Isso sim é ser menos do que nada.

Outro ponto a ser considerado: Na review passada eu levantei a pergunta a respeito do coração, ou da capacidade de amar sem ele. A série já respondeu essa pergunta, na realidade, alguns de vocês conseguiram educadamente expor o porque dela ser capaz. Sem coração Regina sente, mas não com intensidade. Imagino que seria algo parecido a viver sem ver as cores. Certo? O que também mostra o motivo pelo qual Cora fez tudo aquilo, uma pessoa que não sente nada não poderia ser tão motivada, né?

Vou repetir quantas vezes for necessário, Regina é o brilho de Once Upon a Time. Emma que é a protagonista está (para o orgulho dos papais) se tornando cada vez mais uma personagem burra, simplesmente incapaz de ver além de sua visão limitada das coisas. Dizer ao Killian que não pode mais confiar nele e utilizar como justificativa o fato dela ser a pessoa que deveria proteger o filho é honrar as raízes e se posicionar como uma verdadeira Uncharming. Queria a vovó lá para virar os olhos de descontentamento com ela, da mesma forma que eu fiz. Mas esse também foi um momento do episódio para responder a pergunta que todos nós estávamos fazendo, a origem da poção que Hook deu a Emma. Esse foi o ponto final digno do Neal, sua morte (no mundo real) não chegou perto ao verdadeiro heroísmo de sua atitude no Reino Encantado. Quem espera sempre alcança e nunca pensei que Neal me faria dizer isso.
Existe toda uma poesia por trás desse episódio em que colocam Regina no lugar que um dia Emma ocupou. Ninguém mais terá o direito de questionar o posicionamento da finalmente, ex-rainha má. Quem quebra a maldição é ela. Contudo, esse artifício a série não poderá utilizar mais. A partir do momento em que as coisas voltarem a se tornar praticamente as mesmas, tudo passará de inteligência e homenagem, e cairá em reciclagem de tramas. Quero acreditar do fundo do meu coração que estamos acompanhando um caso de “destino”. Já que diversas vezes a série brincou com essa ideia de que os feitos dos filhos são o reflexo das atitudes dos pais. O trabalho executado com essa temática até agora foi muito bom, mas para o bem da série ele deverá terminar nesse episódio mesmo.

A série precisa ir além. OUAT precisa de toda forma encontrar seu balanço e conseguir passar uma boa temporada sem que essa seja praticamente uma cópia carbono da primeira. Os desfechos foram completamente diferentes, mas se formos ver bem, tiveram as mesmas motivações. Além do mais, os ombros mais fortes da série continuam sendo o de Lana Parrila e Robert Carlyle e por mais que eu ame os dois, imaginar que um dia um dos atores possa querer trilhar outros rumos e abandonar OUAT é preocupante. Se isso de fato vier a acontecer, quem poderá carregar a carga da série? Parte dessa culpa é dos redatores que acabam transformando todos os outros personagens em apoio. Mas também é mérito dos dois por possuírem tanto talento e presença, lógico. E esse é apenas um momento de preocupação de alguém que quer OUAT por pelo menos mais dois anos.

Algo que enfatiza bem essa dinâmica ótima da série é ver que todos os maiores sentimentos de perda nesse episódio foram direcionados ao David. Passei alguns minutos atrapalhado imaginando o que viria a acontecer, já que o coração dele era o elo para a nova maldição e ele estava lá, todo garboso ao lado da Snow. Dividir o coração foi uma das sacadas mais inteligentes da série. Sim, foi e é melhor aceitar porque eu acredito que vá doer menos assim. Durante três temporadas vimos uma relação inteiramente baseada em amor, puro (entediante as vezes) e verdadeiro. Acreditar que esse é o único casal da série que pode dividir o próprio coração é bem fácil. Só que, não quero ver acontecendo novamente. Afinal, tivemos entre Snow e Charming uns 30 anos de amor até chegar nesse ponto, certo? Um casal que passou por tanto pode se dar ao luxo de viver bem com meio coração e por mais fofos que Regina e Robin sejam, eles ainda não chegaram lá. Mas estou ansioso para o dia em que Outlaw Queen atingirá o ponto de casal de contos de fadas.

Imaginem meu alivio quando a memória de todo mundo foi restaurada. Pensei mesmo que só teríamos a resposta lá no final da temporada. Porém, como a série se dividiu em dois arcos, continuar com esse segredo não seria um empecilho. Essa é a verdade, menos episódios tendem a nos dar pouco espaço para achar a trama arrastada. Dão também menos espaço para acharmos Henry chato.

Ainda existe mais por trás da história da Zelena, como a Glinda frisou. O que é muito bom, devemos no próximo episódio ver como as coisas se desdobraram entre essas duas amigas e finalmente poderemos entender qual caminho a bruxa verde trilhou até chegar onde está. Isso é fundamental. Zelena é uma das melhores vilãs que surgiram em OUAT depois que Regina perdeu esse lado totalmente maléfico (só o lado, os vestidos continuam impecáveis). Também espero ansiosamente para saber o que a bruxa boa quis dizer com “magia focada no medalhão”. Zelena já tinha poderes desde criança, o que me leva a entender que em algum ponto da história ela acabou se descontrolando e precisando de algo para conter esse poderio. Por isso, antes de erguermos nossas tochas, vamos aguardar o episódio da semana que vem que deverá colocar finalmente todos os pontos finais nessa trama e abrir o caminho para uma season finale que promete.

Ps. O puteiro tocando, bola de fogo voando, macaco voador virando pó e o Henry comenta sobre o que? A espada. Esse menino não tem jeito.

Ps². Regina lutando contra os sentimentos durante a despedida da Snow e do Charming. Um momento pra eternizar.

Ps³. Mais uma vez o Hook deixando claro que só os lábios estão amaldiçoados. Emma, não seja boba menina, aproveite os outros 99% do corpo do rapaz.

Ps4. As pombas do reino encantando fazem bico no final de semana entregando pizza. Força pra isso elas tem.

Ps5. Por um momento pensei que a Glinda na verdade fosse a feiticeira das Crônicas de Nárnia.

Ps6. “Da onde você vem às pessoas tomam banho no rio e usam pinha como dinheiro”. Alguém dá uma série só pra Regina?

Ps7. Menção a Game of Thrones no episódio com a placa da única floricultura de Storybrooke dizendo “Game of Thorns”.


Ps8. Snow e David foram responsáveis pela atitude mais inteligente do Reino Encantado. Caiu da cadeira? Eu ainda estou no chão. 


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