Sunday, May 11, 2014

[Reviews] Agents of S.H.I.E.L.D. - 1.20: Nothing Personal

 

Um episódio memorável, cheio de revelações e participações marcantes.

Não foi dessa vez que Agents of S.H.I.E.L.D. cedeu a pressão e deixou a peteca cair. Algo que vem sendo feito semanalmente na série é a construção e desenvolvimento de seus personagens, que simplesmente não parou até agora e pelo andar da carruagem, ainda veremos mais antes de chegarmos à estabilidade. Existe sempre um limite para o que a série pode apresentar a respeito de seus personagens sem que exista contradição e futuramente erros de continuidade. Em MAoS o ritmo mais espaçado permite que a série dedique momentos inteiros em pontuar exatamente caminhos a serem seguidos, sem exageros, sem excessos.
Fiquei muito contente com esse episódio, não apenas pela participação da Maria Hill, um passo importantíssimo para a série, mas sim pelo desenvolvimento ímpar que ela vem mostrando semanalmente. Ainda não chegamos a um ponto de queda e com o season finale logo ali, a qualidade só tem elevado. Existe sempre aquela preocupação, pois MAoS vem subindo vários degraus em sua trama, obviamente, essa escada não é eterna e uma hora ou outra a série precisará arriscar novamente. Quando Ward foi revelado como possível vilão, a série virou a mesa e mostrou a que veio, entretanto, com mais uma virada nesse episódio eu fico me perguntando o que poderá ser exibido no último episódio da temporada, que ainda não foi renovada.
Logo, algo que me incomodou um pouco é ver que Ward pode acabar encontrando algum tipo de redenção. Sinto isso como uma traição por parte da série que havia demonstrado bolas de vibranium quando transformou um de seus personagens principais em vilão. Quero muito que essa parte não seja alterada e que Ward permaneça fiel a Garret e não aos princípios de bom moço. Fica muito complicado imaginar que ele possa mesmo se redimir, mas tudo o que MAoS quis passar nesse episódio nos leva a aquele velho clichê em que o vilão na verdade só está do lado errado por causa de características que os próprios mocinhos possuem (fidelidade, honra e esses blábláblás). Aquele lance do “estou pagando uma dívida” simplesmente não colou e, por favor, me façam feliz e deixem o cara no lado negro da força, afinal, esse foi um personagem que ganhou muito mais lá do que ao lado dos amiguinhos. Ainda sofro quando lembro do Ward legalzão.
Porém, que show foi esse entre dois atores que considero tão medianos? Skye e Ward em seus momentos casal louco foram completamente deliciosos. Essa pegada sarcástica e ácida de duas pessoas que obviamente odeiam se amar é algo que só uma série com o espírito do Joss poderia oferecer. Como não se lembrar de Drusilla e Spike nos anos iniciais de Buffy? Outro ponto que preciso comentar: Só eu me senti deslocado com essas cenas? Os dois atores demonstraram um crescimento gigantesco e com a adição do perigo ao redor do Deathlok as coisas só ficaram mais tensas. Ao final do episódio eu só consegui pensar em uma coisa: Is this real life? Nunca imaginei que  um dia eu iria elogiar a atuação dos dois.
Entrando na participação da Maria Hill, mais uma vez a série soube utilizar bem um personagem saído dos filmes da franquia. Eu vou ser sincero, nunca gostei muito da personagem nos quadrinhos, mas a pegada mais humana e menos robótica da personagem na série acabou me fisgando. Tudo isso somado a presença da Colbie Smulders e pela primeira vez eu me sinto verdadeiramente fã da Maria. Nos quadrinhos a personagem sempre foi carregada de dualidades bem extremas, algo necessário para uma mulher que chegou ao nível Nick Fury. Mais legal ainda em vê-la trabalhando para o Tony Stark é lembrar que nos quadrinhos os dois já tiveram umas cenas bem tórridas de amor, Pepper que se cuide.
Um porém a essas adições foi a participação rasa do Glenn Talbot. Por mais amor que tenha sido a inclusão do Adrian Pasdar na série eu ainda estou necessitado de mais do personagem, que chegou ontem na série e eu já detesto como nunca detestei nenhum outro. O que só prova que um embate entre a equipe e o exército está bem próximo.
Um parabéns especial pela adição de mais uma informação a respeito do retorno de Coulson do mundo dos mortos. Quando o rosto do ex-agente apareceu na tela do computador eu realmente imaginei que estávamos no fim, lidando com cópias e clones. Porém, fui surpreendido. Coulson trabalhava na tecnologia de ressurreição antes de morrer em Vingadores e sua memória havia sido apagada como parte do processo de contenção de riscos, uma lembrança que ele não havia conseguido resgatar. Logo, estaremos lidando com o fantasma da deterioração da mente de Coulson e Skye e imagino que é exatamente nesse ponto que veremos mais do personagem sentimental que Clark Greeg vem tão heroicamente conduzindo na série. Também é algo a considerar se levarmos em conta que Skye ainda não teve sua origem explicada e continua sendo um mistério.
Só um adendo. Vejo algumas pessoas questionando que Skye ter poderes seria algo que fugiria do padrão que a série propôs. Bom, precisamos considerar dois fatos importantes. Primeiro, no começo a série vinha sendo vendida pela própria ABC/Marvel como um procedural. Segundo, nos quadrinhos a S.H.I.E.L.D. sempre trabalhou com agentes que tinham poderes, ora, o Capitão América era parte sólida da agência. Então, não seria nada estranho alguém com poderes se afiliar ao grupo logo. Ainda aposto que Deathlok será esse personagem, já que Mike também mostrou sombras de redenção em ‘Nothing Personal’. Nada me tira da cabeça que Skye ainda vai levar um tempo a mais para desenvolver algum efeito colateral da droga alienígena, se é que vai.
A realidade é que a S.H.I.E.L.D. ainda está longe de se reerguer e esse episódio é especialmente centralizado em nos passar isso. Nossos personagens permanecem juntos por algo muito mais forte do que apenas “ordens” ou dever e obrigação. Estamos lidando realmente com uma família e o cimento para o futuro da série é exatamente esse. É bem mais fácil agora nos identificarmos com Fitz-Simmons, Skye, Coulson e até mesmo o Triplet que chegou faz pouco tempo, mas que propõe uma dinâmica bem melhor para o time do que Ward. Além do mais, ainda temos nossa própria versão da Maria Hill, Melinda May só salienta mais ainda a posição de mulheres tão fortes na série. Um prazer especialmente grande para quem acompanha. Nada de donzelas em perigo no grupo.
Sendo assim, esse ótimo episódio só elevou mais ainda a tensão e expectativas para o season finale e o segredo ao redor da participação do Nick Fury no último episódio da temporada. Toda a sequência com a Lola também foi muito boa (apesar dos efeitos terem sido medíocres, algo que a série não vinha mostrando até então). Essa é a série que mais tem conseguido me prender ultimamente, um ótimo sinal. Outro ponto valioso é ver que a apesar da oportunidade de inserir qualquer personagem dos quadrinhos ou dos filmes, sua abordagem mostra que no final do dia, é a história que precisa ser sólida o suficiente para dar base aos personagens e isso, MAoS vem fazendo com louvor.
Ps. “Se eu sair, você vai atirar em mim? Por que se você for eu não vou sair”.  Hail Coulson!
Ps². Muito lindo o Ward precisando ser lembrado de que a Hydra inicialmente começou como um dos braços do Nazismo. Meu filho, tu é nazista sim, por afiliação, mas é.
Ps3. Quando o Ward saiu da lanchonete ele provou a diferença entre um policial e um ex-agente-maníaco. Parabéns!
Ps4. Na realidade, toda a sequência de ação nesse episódio foi bem feita, do Deathlok saltando no carro e pegando a Skye as cenas com a Lola.
Easter Eggs
- Com mais uma citação a Viuva Negra a personagem se tornou a integrante do grupo ‘Vingadores’ com mais citações na série.
- Man Thing é um personagem saído dos quadrinhos e essa é a segunda conexão do personagem lançada no Universo Marvel. No filme Homem de Ferro 3, a personagem Ellen Brandt leva o mesmo nome da esposa do “Monstro do Pântano”. É interessante ver que esse personagem tem ligação direta com a nova fase pretendida pela Marvel, em que seu universo místico e sobrenatural serão explorados. Podemos esperar uma conexão direta entre o personagem e o Doutor Estranho para a fase 3.
- Maria Hill estava conversando com Pepper Pots, a “senhora Stark”. A última vez que vimos a personagem foi ao receber a cura do soro Extremis, ministrado pelo Tony Stark no filme Iron Man 3.
- No final do filme Winter Soldier, Maria Hill estava se  candidatando a uma vaga nas empresas Stark. Acho que o currículo impressionou.
- Nothing Personal (nada pessoal) pelo visto é a frase padrão dos vira-casacas. No filme Winter Soldier os soldados falam essa mesma frase para o Capitão América durante o ataque no elevador.
- A morte do agente Koening foi de certa forma fiel a sua contraparte nos quadrinhos. Lá ele também foi morto pela Hydra.
- O trabalho de pesquisa do Coulson com o alienígena era para salvar um Vingador mortalmente ferido. Quem seria esse personagem? Aceito teorias.
- Lola, o carro voador não é uma invenção da série, mas sim uma homenagem aos quadrinhos. Esses carros existem lá.
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