Wednesday, April 23, 2014

[Reviews] Once Upon a Time - 3.18: Bleeding Through


Once Upon a Time, na reta final e apelando para o susto



Fazia tempo que um episódio dedicado a desprender tempo para Snow White não me cativava tanto. Foi um grande susto e confesso estar completamente agradecido por esse ‘Bleeding Through’, que foi além do esperado e entregou um verdadeiro desenvolvimento para uma personagem que até então, estava muito linear e mal aproveitada.

Começando pela interação entre Regina e Zelena, preciso ser honesto, não quero que a bruxa verde seja riscada da série tão cedo, gosto desse jeito debochado que ela tem e mais ainda das falas que ela e Regina dividem em cena. “Isso não é seu” e “história da minha vida” são a prova de que as faíscas e os momentos cômicos entre duas personagens tão fortes só enriquecem a trama. De fato, Once Upon a Time estava carente de um vilão carismático. Peter Pan era azedo demais para passar algum sentimento que não fosse raiva, e não uma raiva pelas maldades, mas sim uma raiva pela inanidade de um personagem tão marcante (nos clássicos).

Adorei a sacada das maçãs verdes entre as irmãs. Se tem uma coisa que Once Upon a Time sabe fazer bem é dar a devida atenção a esses pequenos detalhes. Coisas sutis como o nome marcado na tampa do baú da Zelena “West” a posicionando como a bruxa má do oeste, ou o fato dos números serem novamente uma clara homenagem a Lost melhoram muito o episódio. É nos detalhes que nossa experiência se aprofunda. Podemos viver sem, mas com eles é tudo bem mais divertido. Zelena já está tão consumida, que acredita fielmente que inveja e ambição sejam a mesma coisa, Regina fez bem ao pontuar que não. O diálogo entre ambas foi tão coisa de irmãs que eu nem me importo mais com essa árvore genealógica muito louca que a série tem.

Outro ponto a ser mencionado e comemorado, Snow White finalmente teve aquele momento especial para ser desenvolvida e aproveitada. Fazia muito, mas muito tempo mesmo que não dedicavam um momento para que a personagem passasse de apenas uma Uncharming para alguém com um propósito. Ela e Regina precisavam encontrar um meio termo para suas brigas intermináveis. Mesmo sendo sempre muito inteligente e sagaz, Regina prezou por se portar como uma moça revoltada graças as cicatrizes emocionais que sua mãe, Cora, deixou. Ouvir ela dizendo que sabia quem  a mãe era e de certa forma entendia o que Snow tinha feito foi o ponto final nessa história que começou lá no episódio ‘Stable Boy’, da primeira temporada. Ou seja, Snow não foi uma inútil, pode abrir o champanhe e chamar os amigos para comemorar, essa temporada 3B está excelente.

Durante muito tempo eu acabei me esquecendo do quão interessante Regina e Snow (como dupla) são e o tanto que elas podem oferecer para a série. Tudo isso por que os redatores decidiram esquecer o desenvolvimento dela e estacionaram naquela Snow sem sal, aguada e cheia de moralismo chato. É meus caros, esse episódio foi responsável por fazer algo que eu nunca pensei ser possível, mostrou para Snow White que bem e mal não são aquelas imagens que ela tinha na cabeça, todo mundo tem um pouco de trevas dentro de si, coisa que ela já deveria ter aprendido após descobrir que em seu coração existem pontos negros. Mas nem vou entrar nesse assunto por que seria assumir que a série abandonou esse plot e nunca mais tocou nele. Quero piamente acreditar que esse foi o fechamento que ela merecia.

Sempre gostei muito da Rose McGowan, mas minha santa fada azul, por que tão má na atuação assim? Foi deprimente e praticamente um momento vergonha alheia para todas as cenas em que ela tentou (porcamente) passar algum sentimento relevante. É uma pena que tenhamos Cora interpretada por Barbara Hershey como adulta, sempre dando um show a parte e Rose, como jovem Cora dando um show de vergonha. Acho que prezaram pelo fato de uma semelhança física e se esqueceram de encontrar uma atriz que pudesse ser equiparada artisticamente.

Mas entrando no flashback alvo do episódio, que foi como Cora acabou tendo Zelena, o que quebra a teoria de que Rumpels era seu pai. O que resta entre esses dois é só a extensão da inveja da bruxa, que quer de qualquer forma possuir tudo aquilo que a irmã um dia teve, incluindo o mestre de magia. Apesar do desejo dela por Rumpels ser por outro tipo de feitiço, se é que vocês me entendem.

Cora sempre foi oportunista, sempre quis subir socialmente. Até então, tudo bem, sonhar é permitido e ter ambição (ambição de verdade viu Zelena) não é um pecado. Gostei da forma com que trabalharam suas mágoas e medos nesse episódio. Eu senti sim um pouco de pena da personagem, ela não merecia ser enganada, mas deveria ter desconfiado do tal príncipe encantado. Já o romance entre ela e o pai da Snow foi um tanto esquisito, bagunça um pouco o meu entendimento dos acontecimentos cronológicos da série. Não me lembro em momento nenhum da Cora e do Leopold terem divido algo que denotasse o relacionamento que eles tiveram. O cara ficar noivo da mãe da sua futura esposa é um detalhe bem importante para deixar passar batido. Se eu estiver simplesmente esquecendo de algo que aconteceu, me informem nos comentários por que essa dúvida está me corroendo.

Outro personagem que me deu pena foi Rumpels. Uma coisa é você escravizar o cara, outra é brincar com suas expectativas em ter o filho de volta. Uma pior ainda é brincar com nós telespectadores dando a entender que Baelfire pode retornar as nossas vidas futuramente. Ainda bem que seu comportamento hostil durante o amasso fez Zelena ficar verde de novo e o riscar dos seus planos. Respirei aliviado.

Enquanto isso, na lanchonete da Vovó (como eu adoro traduzir os nomes dessa série), Emma estava estranhamente animada com seus dons em magia e levando um verdadeiro banho de água fria do Hook. A Salvadora está tão concentrada em seus avanços mágicos que se mostrou incapaz de tentar descobrir o que o bonitão sente de verdade. Vamos falar abertamente, Hook não é o centro do universo de Emma, pelo menos não por enquanto. Se fosse considera-lo um planeta no sistema solar Emma Swan, eu diria que ele é Saturno, cheio de anéis, bonito e lustroso, mas ainda distante. O destaque desse episódio não foi para esse casal. Em breve os dois terão que decidir onde se encontram sentimentalmente e é aí que a maldição da Zelena entrará em cheque.

Bleeding Through foi mais um acerto da série. Um episódio que dosou bem a comédia e o desenvolvimento da história e personagens sem parecer sobrecarregado. O caminho de Regina é crível e aceitável e o beijo no final foi só a confirmação de tudo o que ela precisou passar e aprender até agora. Aceitar o amor e aceitar para si, que se desligar dos prejuízos que sua mãe a forçou marca o crescimento de uma personagem, que foi tão bem pontuada. Mérito de roteiristas e da atriz, que conseguiram dar uma identidade para a Rainha Má, desenvolver a Regina por trás dessa faceta e ainda coerentemente dar substância para a história sem se afundar em clichês. Sinto muito orgulho da série por esses momentos.

Ps. Todo mundo já sabe que o Robin tem uma tatuagem e que ela não veio em um chiclete ploc. Agora a série já pode parar de centralizar a “Benedita” todas as vezes que o bandido aparecer.

Ps². Vestidão azul para grávidas – R$200,00. Casaquinho – R$250,00. Corte de cabelo e penteado para esconder a orelha – R$150,00. Passar um episódio inteiro sem querer socar a Snow, não tem preço. Para todas as outras existe cartão Feno de Ouro.

Ps³. Na vida, desconfie do homem bonitão que jura ser príncipe, ele pode ter o nome sujo e ainda te engravidar.

Ps4. Leopoldo? Eva? Vocês esperavam o que de uma mulher chamada NEVE? Snow devia radicalizar tudo e dar ao filho(a) o nome de um objeto inanimado. Poste se for menino, Cerca se for menina. Em ambos os casos, com pouca utilidade. 

Ps5. Um episódio meio terror, graças aos gigantescos e assustadores lábios de Rose McGowan.

Ps6. Zelena, da onde vieram tantos poderes? Do ódio por ter sido abandonada?

Ps7. Cora abaixou, fez uma fogueira e ZÁS, Leopold estava conquistado e amarrado.

Ps8. Eu sei que a Regina fez algum feitiço que a impede de ser controlada, mas sério mesmo que ela é capaz de amar mesmo sem coração? Ou o amor vive na alma? Ou é tudo fogo mesmo?




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