Saturday, April 19, 2014

[Reviews] Agents of S.H.I.E.L.D. - 1.18: Providence


Um episódio para tirar todas as nossas dúvidas.


No episódio dessa semana fomos apresentados a uma amarração bem feita dos eventos Uprising e de bônus as respostas para todas as perguntas que não foram respondidas em Turn, Turn, Turn. MAoS está mostrando bem que não veio para brincadeira e que ser parte de um universo tão vasto quanto o da Marvel não é uma tarefa fácil, demanda esforço e principalmente, paciência e organização.

Mais do que apenas uma base secreta, todo o clima remeteu ao completo isolamento que nossos agentes estão precisando passar após o renascimento da Hydra e a queda da S.H.I.E.L.D. Providence não é apenas um nome, mas sim a exemplificação da própria alma desse time que está sendo guiado pela figura divina de Nick Fury. Sim, o personagem é egocêntrico e foi dessa forma que vi Coulson o tratando, como um emissário dos deuses, não apenas um agente. Providence significa uma manifestação que guia seus fiéis para a bonança. Acho inteligente a série tratar Nick Fury dessa forma, por que de um jeito ou de outro, é assim que ele se vê e é visto por muitos.

Até mesmo a comédia e os momentos de alivio cômico tem seu embasamento. Não podemos nunca nos esquecer que Coulson é o homem que guardava no armário figurinhas vintage do Capitão América. Piadas as vezes bobas e até mesmo cafonas (para alguns) não fazem da série ruim, ou desses momentos dispensáveis, eles delimitam o tipo de produção que estamos acompanhando. Se você não consegue se relacionar com o ar mais leve de MAoS, talvez ela não seja para você, por que eu não vejo a Marvel se desvencilhando do humor tão cedo. Para acompanhar Agents of S.H.I.E.L.D. é preciso sim se desfazer de algumas ideias pré-concebidas a respeito do que uma série de super-heróis baseada em quadrinhos deve ser. Sei que muitos preferem endeusar o método Nolan de trabalhar heróis, mas essa nunca foi e imagino que nunca será a temática da série. É preciso diversificar e existe espaço no mercado e na minha prateleira para todos os tipos de abordagem.

Notei que ultimamente MAoS tem cada vez mais abusado na quantidade de personagens saídos dos quadrinhos, nas referências e easter eggs. Isso só mostra exatamente o que a Marvel pretende com ela. Tenho lido em alguns lugares que talvez Agents só tenha sido planejada para uma temporada e não consigo concordar. Apesar de achar estranho a ABC não ter renovado a série ainda, vejo essas referências e citações como a inclusão dela ao universo Marvel, não o oposto. Seria de enorme burrice termos tantas informações discretamente adicionadas, já que essas morreriam rapidamente sem a série no ar.

E por falar nesses personagens, que ótima ideia colocar Adrian (Nathan Petrelli) Pasdar para interpretar o coronel Talbot. Nos quadrinhos ele é o arqui-inimigo do Hulk. Aqui não ficamos restritos a isso, Talbot deverá dar ainda muito trabalho para os nossos “agentes do nada”. Mais do que isso, mostra que a partir do momento em que a S.H.I.E.L.D. é proclamada uma agência terrorista, não teremos apenas a Hydra como pedra no sapato, mas sim todo o governo dos Estados Unidos, até por que esse também está ao alcance dos seus tentáculos.
Falando no “big picture” o que vocês acham que está guardado no O Cubo? Eu imagino que seja um alien. Obviamente a série tem agido como ponte entre cinema e Tv, não seria estranho ver uma ligação com Guardiões da Galáxia por perto. Já vimos o alienígena azul e a atriz que interpreta a Skye confirmou que ele era um Kree. Será que dentro do Cubo está Noh-Varr, o Marvel Boy? Me perdoem, mas seria demais para mim. Também poderia significar a transformação de Skye em Ms. Marvel. Esse tipo de teoria é pra fazer qualquer fanboy umedecer.

Só fiquei um pouco assustado com a série por que ela não demonstrou esse ritmo tão frenético. Julgo que esse primeiro evento tenha sido uma das coisas mais bem pensadas até agora para uma série de super-herói, realmente, você consegue ver e sentir o desespero dos personagens e a sensação de abandono. A peteca não caiu e tudo caminha para um season finale de explodir cabeças.

Uma das características que eu sempre valorizei muito nas séries do Joss Whedon é a capacidade que ele tem de conseguir utilizar seus vilões da mesma forma que utiliza seus mocinhos, nos conectando a eles, todos são de certa forma carismáticos ou detestáveis, você sempre consegue sentir algo. Tudo bem que MAoS o tem apenas como produtor e consultor, mas seu filho e sua nora estão lá, mostrando que os dias de jantar em família foram muito bem aproveitados. Gosto muito de toda essa preocupação em humanizar Raina e passar toda a volatilidade de Garret e seu pupilo Ward e também por não terem abandonado a premissa original do Clarividente, descobrir como Coulson voltou a vida.

Falando no ex-agente e atual traíra, acho que não restam dúvidas a respeito do que Ward realmente é. Enquanto pensávamos que ele estava apenas atuando para conseguir derrubar a Hydra, ele estava desde o começo infiltrado na S.H.I.E.L.D. e passando informações importante para o Garret. Só eu quis socar a cara dele quando o Garret agradece pelas informações a respeito da tocadora de violoncelo do Coulson? Além do mais, a quantidade gigantesca de agentes que ele matou não condiz em nada com algo que o Coulson “boa praça” o mandaria fazer, a personalidade dele não permitiria deixar o agente chegar tão próximo ao precipício.

Foi interessante ver que apesar de ter uma afiliação diferente na série, Garret ainda é um pouco fiel a sua contraparte nos quadrinhos. Lá ele é meio homem e meio ciborgue e aqui já vimos parte de sua prótese. Isso também nos mostra que ele teve participação ativa na transformação de Mike em Deathlok. Outro ponto importante no episódio e nesse grupo de vilões é ver que estamos bem próximos da libertação do Dr. Franklin, o Graviton, preso dentro do gravitorium lá no começo da série no episódio número 3 ‘The Asset’. Mais uma vez Agents amarra com maestria todas as pontas soltas desde sua estreia.

Algumas vezes li algumas pessoas dizendo que: “Se MAoS está tão boa, por que ela não começou com esse ritmo e só melhorou depois de 11 episódios?”. Acho que muitas dessas pessoas não estão reconhecendo o trabalho que vem sendo feito até agora e toda essa progressão. A Marvel tem 60 anos de histórias em quadrinhos, com personagens morrendo, ressuscitando, terras paralelas, reboots e tantas outras informações no mínimo, confusas. Tanto que o discurso emocionado do Coulson foi a exemplificação dessa história, de tudo o que eles passaram juntos e fizeram. Agents condensou em 10 episódios uma história mais lenta, porém com um propósito. E o que estamos vendo agora é consequência direta a tudo o que foi apresentado no começo da série. Por isso, parabenizo mais um episódio da série que não abaixou o ritmo e conseguiu passar emoção e ação na medida certa. Quem mais não se maravilhou com a entrada do Ward na base secreta e a possibilidade tanto para ele quanto para Skye colocaram um ponto final nessa relação? Eu estou ansioso e querendo mais. E só para não deixar passar batido, as relações entre nossos mocinhos estão cada vez mais complexas. Simmons toda saidinha para o agente Triplet e Fitz com ciúmes foram só a cereja no topo do bolo. Mas ainda estou um pouco chateado com o tratamento que a May vem recebendo, isso me cheira a personagem próximo da morte.

Easter Eggs

- As coordenadas passadas no distintivo do Coulson poderiam ser uma
referencia ao Motoqueiro Fantasma da terra 928. 49 27 41 – 80 3 40 são coordenadas para Cochrane – Ontário. O motoqueiro dessa terra se chama Kenshiro Cochrane.

- Outra possível homenagem ao personagem foi a participação do agente Kaminsky no episódio. Len Kaminsky foi o criador de Kenshiro Cochrane em Motoqueiro Fantasma 2099.
- Quando o Ward fala do prisioneiro com patas de leão ele está se referindo ao vilão Griffin.

- Durante a fuga dos prisioneiros Garret liberta um homem e diz: “Não se esqueça de seguir seus sonhos”. Segundo a Marvel essa foi a primeira aparição do vilão Marcus Daniels, o Blecaute. O personagem tem o poder de sugar a energia de qualquer coisa a sua volta.

- A expressão “agentes do nada” surgiu durante a saga Secret Warriors.

- O agente Eric Koening, guarda da estação secreta do Nick Fury apareceu nos quadrinhos como agente infiltrado na H.A.M.M.E.R. de Norman Osborn.

- Koening diz que está isolado desde a invasão de Nova York, aproximadamente dois anos e meio.

- Coulson, Koening, Maria Hill, Capitão América, Viúva Negra e Falcon são os únicos que sabem a verdade a respeito da não morte do Nick Fury.

- As janelas enfeitadas na base são as mesmas imagens utilizadas nas memórias implantadas do Tahiti na mente do Coulson.


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