Thursday, March 6, 2014

[Reviews] Black Sails - 1.06: VI


Mantendo a tensão em alto mar e fora dele.


Nem parece que a duas semanas atrás eu estava aqui reclamando de Black Sails por ela não ter um ritmo bom o suficiente. Nesse episódio o ritmo foi bom em todos os grupos. Piratas em terra firme ou alto mar conseguiram manter uma dinâmica boa, que apesar de ser separada por quilômetros de água salgada conseguiu conversar bem entre si.

Mesmo que ela tenha brincado com nossa moral ao mostrar que a rebelião de escravos é boa, por que racismo e escravidão são ruins e feito exatamente aquilo que eu disse na review do episódio passado, eu entendo completamente o caminho que a série está seguindo. Ainda não me satisfaz completamente, já que nos força a moralmente aceitar o que vem acontecendo, mas me agrada.

Quando a série impõe esse tipo de dilema filosófico fica bem claro que ela está decidindo por nós se iremos gostar desses piratas ou não. Uma rebelião de escravos dentro do navio sendo libertados pelos piratas do Flint pesa a mão em nossa escolha de vê-los como vilões ou mocinhos. Afinal, o que nós e as pessoas de Nassau iremos dizer quando Flint chegar na ilha com esse peso no ombro? Será que iremos reclamar desse mesmo capitão que a não muito tempo estava manipulando e mentindo para praticamente todas as pessoas da ilha? Perguntem para o Billy. A verdade é que a amoralidade de Flint daria uma review de pelo menos três páginas.

E essa abordagem é eficaz. Pode ser chamada de golpe baixo, por que imaginem como seriam as coisas se naquele navio não existissem cativos? Nós estaríamos vendo nossos protagonistas roubar e matar por pura ganância e então passaríamos a ter a vida de vilões, pura e unicamente.  Sem essa muleta moral Black Sails se perderia no mar de negatividade. E isso não seria completamente ruim. Moralmente? Talvez, mas não completamente ruim.

Outro ponto que eu não achei bom e justifica todas as torcidas de nariz que eu dei para a série desde que li sua sinopse são alguns personagens. Quando a série se firmou como prequel de Treasure Island, algo ficou bem óbvio, Flint, Billy e agregados que saíram das páginas da fantasia não iriam morrer tão cedo. Ou seja, a despedida “sentimental” dada a Billy não serve de nada, já que ele é uma figura cativa em Treasure Island. Billy precisa estar vivo para daqui 20 anos Jim Hawkins possa encontrar o mapa do tesouro escondido de Flint.

Se estivéssemos acompanhando personagens reais, como a Era de Ouro da Pirataria fabricou aos montes ou até mesmo um personagem novo inventado para a série, as coisas poderiam ser diferentes. Essa pequena derrapada não compromete já que ninguém realmente acredita que ele tenha morrido, mas corta um pouco o clima. A única coisa boa da “morte” do Billy é imaginar que seu retorno poderá ser o responsável pela queda da imagem perfeita de capitão exemplar que o Mr. Gates possuí de Flint. E se isso não for o suficiente eu irei logo chutar o pau da barraca e dizer que Gates provavelmente tem um baú com chumaços de cabelo e pedaços de roupa banhadas em suor do capitão. Só amor justifica essa cegueira toda.

Entretanto, vejo que já existe o primeiro plot que me desagrada. A Sra Barlow e Flint são tão parecidos, que eu as vezes acho que os dois são uma pessoa só. A mulher é tão manipulativa que levou o padre a cometer o pecado da carne  só para ter alguma vantagem sobre ele. Afinal, não consigo acreditar que ela queira trair Flint. Se esse fosse o caso por que ela escreveria uma carta tentando amenizar a situação do capitão? Não compro. Suas atitudes são sua vantagem, mas o ar de perdida e sem nexo são tão grandes que eu não simpatizo nem um pouco com nada. Nada do que acontece quando o foco é desviado para aquela mulher nem um pouco misteriosa é interessante, quebra o ritmo bom do episódio e ainda nos deixa com um gigantesco ponto de interrogação na cabeça.

Outra personagem que perdeu muito desde o começo foi Max. Pobrezinha, terminou exatamente onde tinha começado no começo da série, só que sem as vantagens (aparentemente). Ainda acredito que ela possa se tornar futuramente a esposa do Silver. Historicamente isso aconteceu, porém, a nova ex-escrava/rebelde também pode indicar essa previsão. Mas isso dependerá de sua inclusão na trama.

Agora que entramos no outro lado da história, preciso comentar que Boony e Eleanor fizeram a dupla mais perigosa da série até agora. Passaram um ar de ameaça mais forte do que todos os piratas da série. Nem mesmo Vane impõe respeito como as duas mulheres impuseram. Oito homens pereceram graças as maquinações das duas, que queriam apenas libertar Max do loop de estupro e violência. Ou seja, já passou da hora das duas montarem sua própria gangue e reinarem em toda Nassau.

Todo esse planejamento serviu também para marcar Silver como o personagem que melhor e mais fiel se manteve durante os seis episódios já exibidos até agora. Sua personalidade ainda se mantém intacta, assim como seus desejos. Mesmo ele estando preso na ilha e sem participar da ação, sua faceta permanece a mesma.

Um ponto ruim foi Anne ter rejeitado Max. Mas é até fácil de entender. A garota provavelmente estava mais esticada do que camiseta de propaganda política depois da terceira lavagem. Porém, isso acabou quebrando um pouco minha expectativa de ver as duas fazendo o Boomax, nem que seja por um episódio só.

E por falar em casais, Calico Jack e Boony foram mesmo um na vida real. Um casal de botar medo em tudo e a todos. Só que a série acabou tomando uma liberdade muito grande a modificar a personalidade do Jack. Ele foi o homem responsável por depor o capitão Vane de seu próprio navio, não Eleanor. Foi graças a Jack que eles conseguiram atacar um grande navio francês enquanto o capitão Vane se acovardava. Aqui, a série o coloca como um diplomata mais do que como um líder. Se é para Boony não ficar com Max e sim com Jack, que seja da forma como a história conta, como um casal de botar medo. Será que os personagens de Black Sails se manterão fiéis a história? Será que acompanharemos essas transformações? Isso eu nem arrisco dizer.

VI foi bom, manteve uma aura de tensão muito grande. Quando o foco mudou dos piratas em alto mar para Eleanor e Boony, a tensão prosseguiu firme e condizente com tudo o que vinha acontecendo e a única reclamação é mesmo para com a senhora Barlow. Só existem mais dois episódios até o final da primeira temporada, tempo necessário para prepara tudo para a perseguição ao Urca de Lima, mesmo que o próximo episódio seja centrado em escapar do Scarborough. Quero muito saber como a série irá lidar com esse pouco tempo que tem em mãos e se ela conseguirá nos manter intrigados e interessados em piratas por mais tempo.

Mapa na garrafa: Padre, era uma corrida que o senhor estava apostando? 3 segundos deve ser estabelecido como novo recorde mundial.

Mapa na garrafa 2: Se o Flint não é um jedi, tenho certeza de que toda a embarcação do Scarborough é. Eles conseguiram encontrar os dois navios durante a noite. Uma coisa é saber que eles estão no oceano, outra coisa é os encontrar sem ter ideia de onde possam estar. O mar não é uma rua, os banhistas não são os pedestres e os navios não usam nenhum aplicativo de localização por GPS.


Mapa na garrafa 3: O homem misterioso que Vane encontrou é o Barba Negra ou um personagem perdido de Vikings? Estou com dúvidas. 

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