Saturday, February 15, 2014

[Reviews] Black Sails - 1.03: III



Alianças que não duraram a primeira garoa.


Uma aliança boa é aquela que pode resistir a mais terrível tempestade, a de Flint e Vane não passou da primeira garoa e isso diz muito sobre o que vem acontecendo com Black Sails até agora.

A série que começou interessante ao se mostrar diferente de tudo o que esperávamos acabou nos induzindo a um coma tão grande nesse terceiro episódio que eu fiquei querendo tudo aquilo que tinha me deixado contente por não ansiar. Um pouco de mobilidade, um pouco de ação, qualquer coisa menos enfadonha que uma mulher lendo contos eróticos bíblicos para um assanhado padre albino.

Mas estou sendo injusto com Miranda, ela foi uma boa personagem e atingiu um nível que até então apenas Max tinha chegado. Gostei do seu jeito inteligente e sagaz. Sabe o que me preocupa? Será que darão a ela o mesmo tratamento que a prostituta recebeu? Por que toda a personalidade dela acabou indo para o lixo, não é possível que tentem vender a mulher nos próximos episódios como se nada tivesse acontecido nesse.  O mesmo vale para a Sra. Barlow, que aparentemente é uma nobre. Quando a coroa saiu, Nassau foi tomada por piratas, espanhóis e franceses, os nobres (ou só mais abastados) foram embora, alguns ficaram e por muito tempo precisaram fugir para a floresta e viver de frutas e outros animais selvagens (esse último só quando a sorte sorria). Quem é essa mulher que precisa ser vigiada constantemente? O único mistério levantado por Black Sails até agora. Torço para que não estraguem tudo como fizeram com a Max, que não merecia esse desfecho tão trágico assim tão cedo.

Discutindo os outros personagens, Calico Jack é de fato e até historicamente referenciado como mais perigoso que o próprio capitão Vane. Por isso, todo esse episódio mais centrado nessa figura talvez tenha sido uma forma de nos mostrar esse seu lado. Durante as negociações é ele quem fica como o pequeno diabo no ombro do capitão, atiçando as coisas negativamente. Mesmo que tenha sido ele a desesperadamente precisar de ajuda durante todo o episódio graças as pérolas afogadas.

Nada disso me faz esquecer que esse episódio de tão lento quase me deu sono. Compreendo a necessidade de desenvolver a mitologia e política por trás da era de ouro da pirataria, mas é necessário mais do que apenas cinco minutos finais para segurar a audiência da série e mantê-la interessante.

De certa forma III ainda é parte do piloto, é como se estivéssemos acompanhando um piloto de três horas. Tudo tem uma introdução, desenvolvimento e conclusão e chegamos a conclusão do piloto apenas agora. Isso é de dar medo. Se por um lado ir com calma é bom, por outro esse excesso de calma acaba deixando tudo um pouco tedioso e Black Sails só tem oito episódios em sua temporada de estreia. E é isso que eu senti, muito tédio. Algo que eu não pensei que poderia sentir em uma série de piratas. Tudo bem o segundo episódio ter focado na política, mas precisamos de um pouco de ação ou então tudo vira um parado blábláblá eterno.

Nem mesmo o discurso desesperado de Eleanor no final me comoveu, pareceu tão apressado que toda a escala emocional que deveria nesse momento chegar ao teto, ficou lá, parado no chão tão ou mais em choque que os capitães. Ou seja, a dor que a gerente da ilha precisaria passar para nos comover com ela não veio e eu terminei aliado a Max, mesmo sabendo que a culpa por ela ter sido aprisionada foi dela, por ter desde o começo feito escolhas erradas. Um único detalhe, que espécie de mulher é estuprada e depois se alia exatamente ao homem que permitiu essa violência? Onde está a coesão de uma personagem que foi tão bem conduzida até agora? Pelo visto, esse foi o primeiro e maior tiro no pé que a série teve.

A única reação crível foi da do Mr. Gates que conseguiu expressar o que eu estava pensando. “Que inferno acabou de acontecer?” e a cara branca do Vane. Vane sabe que acabou de perder Eleanor, ela fez questão de desenhar a linha ao ser a responsável por depor o homem que ela tinha acabado de assaltar sexualmente alguns minutos atrás (uma cena que para mim só pode ser justificada pela proximidade da personagem aos gritos da Max). Então, imagino que tudo o que havia sido construído até agora simplesmente mudou. Entendem minha frustração? A série passou três episódios desenvolvendo uma política e aprofundando a motivação do capitão, mostrando até onde estávamos indo para depois desabar tudo em uma cena. Seria bom, se não tivesse sido tão ruim. Isso sem comentar que a motivação para a aliança com o Vane tinha sido a idade do Gates, uma justificativa que teria sido boa ao mostrar que idade é algo que influencia muito se ele não tivesse terminado exatamente como Flint havia planejado no começo. Uma corrida atrás do próprio rabo que terminou com uma mordida que de acerto passou para dor certeira.

Uma sorte diferente para John Silver, que esteve bem mais contido nesse terceiro episódio. Menos cômico, mas ainda inteligente. E só consegui notar que Billy Bones é um personagem até legalzinho por causa do “cozinheiro” canastrão. Mais uma prova de que a série acabou perdendo boas oportunidades de ter mostrado seus personagens principais com mais personalidade do que fizeram até agora. Somente depois de praticamente duas horas e meia de série que comecei a entender quem são os piratas aliados a Flint. Ao passo que os piratas do Vane já tinham uma personalidade bem sólida. Bonny que até agora teve quase nenhuma cena importante me convence com apenas um olhar, enquanto Gates e Billy precisaram de muito mais do que isso.

Ou seja, esse terceiro episódio acabou não me agradando muito. Um pirata preocupado em comprar armas ao invés de simplesmente roubá-las? Não gostei do desfecho de Max, que foi culpada apenas de não conseguir concluir a negociação que começou com Vane, sendo que quem perdeu as pérolas foi Rackham. E aqueles óculos estranhos (porém historicamente aceitáveis) que só me mostram o quão não piratas esses homens são. A série fez bem em diminuir o passo em seu segundo episódio, mas pecou ao entregar um terceiro episódio tão sonolento e longo quanto os créditos iniciais, que sinceramente, parecem levar duas encarnações pra terminar.

Mapa na garrafa 1: Vane se tornou mais interessante a partir da olhadela para Bonny e sua ameaça.

Mapa na garrafa 2: Apesar de ter gostado da forma como o episódio terminou, eu ainda queria acompanhar a aliança entre os dois capitães. Acho que perdemos mais do que ganhamos com essa.

Mapa na garrafa 3: Piratas sempre fizeram alianças, era comum para eles se juntarem para tomar navios juntos e festejarem depois. Podiam ter explorado mais opções, né?

Mapa na garrafa 4: Eu sei que a vida real não é cheia de ação e que a série está fazendo um bom trabalho de retratar a política desses indivíduos, mas se eu quisesse apenas vida real eu assistiria a um documentário, não uma série cheia de personagens saídos de Ilha do Tesouro. Vamos lá Black Sails, está na hora de apimentar mais as coisas.


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