Saturday, February 15, 2014

[Reviews] Agents of S.H.I.E.L.D. - 1.13: T.R.A.C.K.S.



Não é Marvel até o Stan Lee aparecer para umedecer fanboys.


E é com essa frase meio estranha que eu abro a review do episódio que para mim se tornou o melhor da série, pelo menos até que o próximo vá ao ar. Afinal, as coisas estão melhorando muito para Agents of S.H.I.E.L.D

Toda a construção de T.R.A.C.K.S. foi interessante. Acompanhamos os diversos POVs remontando as mesmas cenas através da visão dos diferentes grupos de personagens, o que tornou toda essa experiência muito mais rica e divertida. Trabalho esse que foi uma cooperação entre Rafe Judkins e Lauren LeFranc, que dividiram o roteiro de outro episódio da série, o não tão bom assim The Hub. Não sei muito bem o quanto da série já estava pronto, mas quero acreditar piamente que tudo já estava planejado.

É comum que por enquanto tenhamos que acompanhar o retorno de alguns vilões já conhecidos da série. Ian Quinn, por exemplo, totalizou três episódios da série até agora. Tudo isso ocorre por que o grande vilão ainda não tem um rosto, é necessário mesmo utilizar os que já foram apresentados para que não exista uma dispersão muito grande, transformando nossa jornada confusa demais ou sem nexo. O interessante é ver que aos poucos todos eles estão caindo, Po morreu, Rainna foi capturada e está em custódia da S.H.I.E.L.D. e agora deverá receber a companhia do amigão, Ian.

Outro ponto válido para mostrar que tudo o que nos faltava era um pouco de calma é a existência do personagem Mike. Lembro que no começo todo mundo apostava que ele fosse o Luke Cage, então, a maioria começou a reclamar muito por que tudo indicava que ele era somente um personagem novo criado especialmente para a série, agora, todos já estão arrancando os cabelos de felicidade por que ele é o Deathlok. Paciência era a palavra chave.
Talvez, a grande maioria não tenha percebido, mas existe uma diferença muito grande entre todas as produções da Marvel e da DC, impedindo que uma das maiores comparações seja levada a risca, a comparação MAoS VS Arrow. Vocês já viram que nenhum filme live action da DC/Warner tem cena pós-créditos? Pois essa é uma característica que começou com a Marvel. Vocês já viram também que o humor e as cores fortes são um traço marcante de todas as produções da Big M? Ao passo que a tonalidade cinza e escurecida é o carro chefe tanto do tom quanto da fotografia da DC. Se não ficou claro ainda, as duas trabalham de forma bem diferente uma da outra e tem orgulho disso. Talvez, e um grande talvez, a série que seguirá um caminho mais tortuoso e sombrio seja Demolidor, que pertence a Netflix e não a ABC. Por isso, é bom não ficar esperando um equivalente de Arrow na Marvel.

Em termos de humor a série parece que acertou a mão e anda conseguindo apresentar bons momentos sem fazê-los parecer forçados. Mesmo que a aparição do Stan Lee tenha cortado um pouco do que estava acontecendo entre Simmons e Coulson, foi engraçado ver o pai Marvel, a entidade mais poderosa no terreiro da casa das ideias passando um sermão no agente. Simmons é perfeita e eu simplesmente adorei a interação dela com o Coulson, a fala “Você nunca teve tempo para ela. Mas teve tempo para o seu trabalho! E suas prostitutas”, “Prostitutas? Plural?” foi de perder o ar. Socorro, esse foi um momento em que eu tive que pausar o episódio para conseguir acompanhar o restante sem perder nenhuma informação.
É interessante notar que houve crescimento desde o piloto da série até agora. Me lembro que no começo sofríamos com períodos de humor forçado e sem graça que só estavam lá para enferrujar mais ainda a imagem morna que tínhamos dos atores. Agora não, as coisas estão bem menos engessadas.

Gostei bastante das cenas de ação. O que foi a May saltando do trem com direito a paraquedas e tudo mais? Perfeito. E disso nós não podemos reclamar, as cenas de luta e afins sempre foram bem executadas na série.

Retornando ao assunto Deathlok, vou fazer um panorama rápido entre o personagem da série e o dos quadrinhos. Em uma das reviews anteriores, um comentário chegou a lançar a hipótese de que o Mike fosse o personagem. Eu até então fazia parte do grupo que via o Mike exclusivamente como uma nova criação para a série, sem conexão com os quadrinhos. Sendo assim, o trabalho que fizeram foi o de dar uma origem para ele. Vocês notaram que desde seu surgimento tivemos um mini-filme contando como foi a criação de um vilão(?) importante dos quadrinhos? Pois é, Deathlok é um personagem veterano da casa, mais de quarenta anos de histórias, participações e versões alternativas.

O trabalho que a série fez de criar e embasar o personagem foi ótimo. Assistindo apenas aos episódios em que Mike aparece o vemos passando de um homem que queria ser o melhor para seu filho e acabou como experimento de uma organização criminosa, um agente especial da S.H.I.E.L.D. e agora uma espécie de vilão, sendo controlado e já não podendo mais ser visto como apenas um humano. Testemunhamos um “Deathlok: Origens”.

Nos quadrinhos, porém, Michael Collins era um funcionário da Roxxon Oil (que eu comento lá embaixo) que trabalhava na área de criação de membros artificiais, algo que para ele seria futuramente usado para ajudar pessoas com deficiências físicas. Ao descobrir que tudo era parte do projeto Deathlok ele reclama com amigo e chefe, Ryker, para acabar sendo vítima da própria criação. Depois de um tempo ele retoma o controle de si mesmo e passa para o lado do bem. Ou seja, a série pode respeitar essa versão do personagem. Pode até mesmo ir além e dar para ele uma nova história totalmente diferente dessa, só o tempo nos dirá.

Outra personagem também roubou a cena nesse T.R.A.C.K.S., Skye. A hacker não teve até o final nenhum momento extremamente brilhante. A cena do beijo no Fitz foi bonitinha, mas só. Foi o momento em que ela leva dois tiros do Ian que eu pude pela primeira vez gostar 100% dela. Ainda não sabemos o que ela é, qual seu poder ou sua importância, mas sei que como personagem, já ganhou um espaço importante na série. Isso eu digo por que eu me preocupei com a sua possível morte. No começo da série eu comemoraria esse momento. Já agora eu não consegui sentir algo que não fosse inconformação com a forma brutal com que Ian Quinn a feriu, uma vingança completamente mesquinha e fria.

Indo para o casal mais estranho possível do mundo das séries, May e Ward. Os dois continuam naquelas cenas de tensão constante. Rola um pouco de crise de ciúmes, um pouco de infantilidade, mas o que permeia essa relação é o aprendizado de ambos personagens que ainda não sabem se comportar como seres humanos completos. É evidente que a falta algo lá e mais ainda que a única forma deles evoluírem é juntos. Só fica a dúvida, será que duas peças quebradas podem se encaixar? Eu temo pelo futuro desse rala e rola.



E pra chorar muito de amor pela série, vamos analisar a imagem acima. A Cybertek nos quadrinhos é uma divisão da Roxxon Oil, empresa que desenvolveu a tecnologia Deathlok. Ponto positivo para MAoS por fazer meu hobbie de escrever essas reviews mais divertido ainda, ver esses easter eggs é um prazer imenso. Segundo fato a analisar, de acordo a imagem a perna foi criada em 061330 - também pode ser o número de série, mas isso seria chato demais -, um indicativo de que ela pode ter sido feita em 13 de junho de 2030. Sim, uma tecnologia do futuro. Agora vem a teoria que quase fez minha cabeça explodir. Será que o Clairvoyant veio do futuro? Se sim, será que estamos testemunhando os atos de Kang o conquistador? [Tremedeira Nerd]

Kang o Conquistador é um dos vilões mais emblemáticos do universo Marvel, por causa de suas intromissões em outras linhas temporais ele passou de Nathaniel Richards para Rama-Tut, Scarlet Centurion, Immortus e Iron Lad. Com o poder de viajar no tempo ele foi responsável por muitas confusões. Suas versões acabam sempre bagunçando a linha temporal e para mim, uma das mais divertidas aparições dele foi em “Young Avengers” em que sua versão mais nova volta no tempo e assume a identidade de Iron Lad (um tipo de Homem de Ferro adolescente) e funda o grupo dos jovens vingadores.

Imaginar que ele possa vir a ser o clarividente é um passo muito grande, talvez maior do que a série esteja disposta. Porém, os últimos episódios têm sido tão divertidos e corajosos (para os padrões que a série já tinha traçado), que eu até posso imaginar que a série esteja criando colhões para embarcar de vez no universo da terra 199999 e trazer Kang. Afinal de contas, já vamos ter Lady Sif vinda diretamente dos filmes do Thor, uma personagem importante e principal da franquia Marvel nos cinemas. Talvez para apagar a impressão fraca que The Well nos passou ao ser o tão esperado e decepcionante cross-over de Thor: O Mundo Sombrio com a série.

Mas, não fiquem assim tão animados. Lembrem-se sempre de tudo o que passamos com a antecipação de que Coulson pudesse ser um robô, ou até mesmo o Visão (fato que já foi desmentido já que Paul Bettany foi confirmado em Vingadores 2 como o tal).

Outro fator importante é a data de retorno da série com a data da estreia de Capitão América 2. O Episódio 15 de MAoS está datado no IMDB para ser exibido em 11 de março, se não houverem mais interrupções o episódio 19 da série deve ser exibido na semana de estreia do Soldado Invernal. Capitão América: Soldado Invernal pelo que entendi irá lidar também com a corrupção dentro da S.H.I.E.L.D., em T.R.A.C.K.S. vemos que os vilões estão usando a mesma tecnologia da arma ‘night night’. Além do mais o clarividente sempre sabe onde nossos agentes estão. A Roxxon Oil, empresa ligada a Cybertek que criou a perna do projeto Deathlok tem ligação direta nos quadrinhos com o Capitão América, sendo citada pela primeira vez no número #180 de 1974. Isso pode apontar que talvez estejamos lidando com um agente duplo. Nada disso descarta todas as teorias que já fiz nessa review ou na review do episódio The Magical Place quanto a identidade do vilão, mas é sempre bom ter em mente que a entrega pode acabar não surpreendendo tanto.

No total, esse foi mais um episódio bom para a série. Começamos com passos lentos e agora já estamos com mais espaço entre cada expectativa. Sinto que até o season finale as coisas só tem a melhorar. O próximo episódio contará com a participação do personagem John Garrett (mais um direto dos quadrinhos), ou seja, mais surpresas agradáveis estão por vir.
P.S. Câmera hiperbárica realmente existe e não é meramente uma invenção da série. Ela é utilizada para tratar ferimentos difíceis de curar entre outras, como envenenamento por monóxido de carbono.

P.S². Emil Blonsky, citado no episódio é o Abominação. Aquele vilão monstruoso que apareceu no “Incrível Hulk” do Edward Norton em 2008.

P.S³. “Scusi attenzione signore e sinora...” Eu já estava quase arremessando meu mjolnir na televisão de raiva dessa mulher repetindo essa frase o episódio inteiro.

P.S4. MAoS só volta dia 4 de março, tudo culpa das olímpiadas de inverno. Que sinceramente, ninguém da à mínima.

P.S5. “Eu não posso lidar com Asgard hoje.” Agente Coulson mostrando que ainda não superou seu trauma com asgardianos.

P.S6. Pesquisei, pesquisei, pesquisei ainda mais e não encontrei nada que pudesse ligar o nome do episódio a alguma informação relevante dos quadrinhos. Ao que tudo indica, tracks foi escrito T.R.A.C.K.S. só para ficar bonitinho, no final, é tudo trilho de trem.

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