Wednesday, February 5, 2014

[Reviews] Black Sails - 1.02: II



Peito. Peito. Fruta. Fruta. Planta. Planta.


Black Sails não fez feio e entregou um segundo episódio muito bom, um pouco mais lento que seu piloto, porém, nada que não fosse esperado. Pilotos são para vender a série e o de Black Sails fez isso muito bem ao exagerar na ação, nas cenas de sexo e nos peitinhos. É quando assistimos ao segundo episódio e vemos que mesmo sem esses excessos, a série conseguiu se segurar muito bem em seus cinquenta minutos.

O que importa aqui é a política ao redor dos piratas, essa era de ouro realmente existiu e mesmo que aqui, tudo seja uma espécie de prequel de Treasure Island, as motivações são bem próximas das reais. Nassau era o local mais procurado para o comércio, mercadores vindos de todas as partes do mundo terminavam naquele porto para negociar com os piratas. O sonho de uma terra a parte, comandada por eles e sem ligações com a coroa era o que vários dos piratas do mundo real aspiravam. As cenas balísticas já foram exageradas em outras produções, essa é uma em que o teor histórico possa vir a ter um peso maior do que as cenas de sangue explosivo e socos bem ensaiados.

Muitos vão reclamar da falta de oceano em uma série de piratas, mas eu não. Concordo que batalhas são esperadas, tiros de canhão, mas a principio o serviço de nos imergir na vida cotidiana desses homens está sendo muito bem feito.  Talvez, ela acabe não sendo uma série de ação, mas sim uma aventura, o que seria suficiente para uma grande parcela gritar “abandonei no segundo episódio”, mas tudo bem, eu vejo Black Sails como uma tentativa diferente de abordagem do canal Starz. Um canal que ainda está procurando sua identidade e que apesar de ter conquistado muitos através de areia e sangue, é preciso ter algo a mais para não nos entregar sempre mais do mesmo. Não é interessante ver uma Spartacus versão bacalhau dos sete mares, é interessante ver algo novo.

Mas não é por que não tem ação que a série não pode acelerar as coisas, certo? Para um segundo episódio as cenas aconteceram com uma velocidade ótima, logo de cara John Silver já é desmascarado, Max também e todos os planos dos dois vem por água a baixo. Isso sem contar no breve romance que Eleanor e a prostituta das mãos ágeis nos ofereceram, de um começo lindo, cheio de promessas para um final amargo, de partir o coração. “Esse lugar é só areia, ele não pode te amar de volta”.

E é isso o que Eleanor quer, amor. Não um amor por alguém, um amor a uma utopia, que continua ameaçando a deixar. Exatamente por isso ela e Flint se relacionam tão bem, de uma forma, os dois querem o mesmo. Logo, a areia parece ser muito mais apetitosa do que as coxas quentes e convidativas de sua prostituta pessoal. É simples, será que Max continuaria atendendo (mesmo que com as mãos somente), se ela fosse a mulher da vida de Eleanor? Acho que não.

Veja bem, uma série como Black Sails, precisa ser rápida. Peixe que não nada, morre.  Toda a venda  da série foi baseada em uma esperança de um Piratas do Caribe +18, mas a série não é isso e pelo que vi, também não tem pretensão de ser. É na velocidade que ela vai nos ganhando. A tensão em ir atrás do papel foi tão grande que eu estava a todo o momento esperando o segundo em que John fosse ser apanhado por um dos lados (qualquer que seja ele). Luke Arnold está desempenhando um ótimo trabalho, John Silver é ao mesmo tempo facilmente relacionável e irritante, sua inteligência e humor conseguem trazer um pouco de balanço para as coisas que estão acontecendo.

O que está faltando mesmo para a série são personagens um pouco mais interessantes. Imagino que a revelação de que o Capitão Flint tem um interesse amoroso e bucólico o esperando nos confins da ilha, possa vir a trazer um pouco mais de personalidade para ele. Até o fim do “II” o que eu consegui foi, viver um misto de amor e ódio pelo John, me apiedar de Max, mesmo sabendo que ela é uma traíra, senti pena dela sendo enforcada e é claro, detestar Vane e achar que sem ele, a série não seria nada do que é até agora, dinâmica.

Porém, ainda temos outros personagens, Eleanor é legal, mas ainda grita clichê a todo momento, assim como Billy e seu companheiro inseparável que eu ainda nem me dei ao trabalho de aprender o nome, de tão legal que ele é, ambos são tão previsíveis que eu nem me consigo me importar tanto assim. Flint é um personagem que não tem muita liga, passa do Capitão louco para o homem que cita Odisseia de Homero quando quer fazer valer seu ponto de vista, é estranho e só. Foi mais fácil gostar dos piratas do Vane do que dos piratas do Flint. Isso não é um bom sinal, já que as situações eventualmente irão convergir para um lado da balança e esse é o do Flint. Tudo isso fica mais estranho quando vemos que os personagens baseados em pessoas reais, Vance, Anne Bonny e Calico Jack, são bem melhores que os personagens que antecedem Ilha do Tesouro. Calico é de longe, meu Top 5 de personagens, que dó ver aquelas pérolas afundando, que dó e que ótimo, por que se tem uma coisa que eu adoro mais do que meus personagens favoritos se dando bem, é vê-los se atrapalhando e tentando corrigir seus erros.

Claro que ainda é bom ver que as personagens femininas não perderam a força, continuam tendo uma participação importante na série e não devem retroceder tão cedo. Ainda me incomoda muito que a série acabe convergindo para o Ilha do Tesouro, queria que a promessa de prequel morresse no piloto, mas as vezes eu acho que não será bem assim. A Era de Ouro tem muito a oferecer, mas eu já consigo ver algumas dicas de como as coisas vão acabar seguindo, John Silver é citado no livro como tendo uma esposa de cor, seria essa Max? Essa era uma preocupação que eu não queria ter e que acaba tirando, para mim, o brilho de muitas coisas que ainda podem acontecer na série. Dá uma sensação de “já sabia” ou “já era esperado”. Isso me chateia. É diferente de uma série que é totalmente baseada em um livro de fantasia, como Game of Thrones, Black Sails poderia ir além da quase adaptação e fazer um belíssimo trabalho totalmente baseado em personagens reais, que existiram e tiveram um impacto no mundo.

Logo, a série manteve muito bem a qualidade e arrisco dizer que foi até melhor agora do que em seu piloto. Tensão, traição e velocidade mostraram que “II” foi a preparação do terreno para eventos muito mais grandiosos, mesmo que não seja em ação, serão em conteúdo e entretenimento, que no final das contas, valem muito mais do que pérolas negras no fundo do mar.

Um parabéns todo especial para a equipe que vem desenvolvendo os cenários e a música da série. Tudo tem sido bem feito e o melhor, crível. É divertido. Isso todas as séries precisam vez ou outra desempenhar, utilizar o personagem que não fala nada, mas que é bem mais expressivo que muitos, o cenário.

Mapa na garrafa 1: O nome do pirata para qual Max estava oferecendo uma mãozinha, nos créditos é Handjob Pirate. Que indecência.

Mapa na garrafa 2: Vocês viram a importância de usar camisinha? Ninguém quer ser excluído para uma fogueira sem graça enquanto todo mundo tá festando na praia, né?

Mapa na garrafa 3: Peito. Peito. Fruta. Fruta. Planta. Planta.  Esqueçam o “Garrafa de Rum”, esse sim deveria ser o lema de todo pirata.

Mapa na garrafa 4: Não teve barba negra, mas rolou um bigodinho.

Mapa na garrafa 5: Piratas ao contrário do que se possa imaginar, não eram desprezados ou párias da sociedade. Muito pelo contrário, eles eram bem vistos e aceitos em todos os portos. Não pela coroa, claro, mas pelas pessoas e comerciantes. Imaginem, um pirata rouba uma carga caríssima e a vende por menos da metade do preço, depois torra tudo o que ganhou com bebida e prostitutas, devolvendo para o porto todo o dinheiro que receberam.  



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