Saturday, January 18, 2014

[Reviews] Sleepy Hollow - 1.11: The Vessel


Na reta final, uma possessão demoníaca para deixar tudo mais insano e divertido.

O trabalho que vem sendo desenvolvido episódio a episódio em Sleepy Hollow está sendo cada vez mais interessante, preciso e sem enrolações. Nesse penúltimo capítulo da saga de Abbie e Ichabod contra Moloch e o apocalipse, as coisas não podiam ter melhorado mais. Apesar do centro das atenções ser o relacionamento dos dois, dessa vez sobrou um espacinho (merecido) para Jenny e a família do capitão Irving.
Na realidade, as atuações de Tom Mison e Nicole Beharie tomaram conta do seriado. Porém, o elenco de apoio sabe muito bem suprir esse espaço que resta para nos garantir um pacote completo. É interessante ver que o monstro da semana é apenas um detalhe. O importante aqui é tudo o que está acontecendo apesar do monstro da semana. Ambos se complementam, mas não é apenas um caso de detetive é um caso de exploração de possibilidades para os personagens e para a trama. Existe adição, ao mesmo tempo, existe ação. Uma não diminui ou toma o espaço da outra.
Quando a família do Irving surgiu, todos nós sabíamos que era apenas para dar um senso de “existência” e possibilidade de perda para o capitão, que até então, era mais uma profissão do que um ser humano. Essa humanização do Irving foi a quebra da possibilidade que nós (principalmente eu) cogitamos de um futuro relacionamento entre ele e Jenny (fica bem claro pela carinha de abandonada que ela faz no final do episódio). Sim, a humanização do Irving foi uma freada brusca na possibilidade de relacionamento, por que Jenny é o tipo de personagem que não daria certo sendo feliz, o que é horrível. Sleepy Hollow é uma série para pessoas quebradas.
E foi exatamente a tentativa do Irving de arrumar sua mulher e filha, de consertá-las e as ver como quebradas, que o afastou das duas. E o demônio, por incrível que pareça, vem para juntar os pedaços, ou pelo menos é isso o que ele acaba fazendo.
Assim que vi Jenny na cadeira, possuída e a mercê do exorcismo do xerife Corbin, eu abri um sorriso enorme. Primeiro por que estávamos vendo um momento Sleepy Hollow de bizarrice, segundo por que a série pegou tudo aquilo que muitos levantaram como dúvida quando descobrimos a relação dos dois e respondeu brilhantemente. Todo o senso de propósito foi anunciado em letreiro gigante para não restar pontas soltas no relacionamento das duas irmãs e nos motivos de Jenny. E é exatamente por isso que eu gosto tanto dessa série, essa sua capacidade de não só levantar perguntas para nos prender, mas nos responder várias delas e nos respeitar. Vocês não sabem o quanto eu me estresso com séries que ficam prendendo seus telespectadores apenas através das perguntas e mistérios que levanta, até por que, geralmente as respostas não são nem um pouco satisfatórias como fizeram parecer.
E quando essas respostas surgem, elas não são um “ok, tá”, eu realmente consigo acreditar que Jenny permaneceu esse tempo todo longe da irmã por que ela a queria proteger. Não parece ser uma resposta de micro-ondas, aquecida em cinco minutos e forçada goela abaixo.
Momento exorcista 100% pulando o tempo todo na tela. Da menina indefesa possuída ao demônio que remete ao clássico Pazuzu, que consegue pular de corpo a corpo, sendo praticamente impossível vencê-lo. Por alguns momentos pensei que estaríamos perto de ver a primeira morte relevante da série, imaginei que o Morales pudesse acabar morrendo para encerrar a existência do demônio, mas isso não teria sido tão bom quanto Ichabod levantando a lanterna magica e sugando o agente do capiroto lá para dentro. Só achei meio estranho ninguém comentar a morte do padre ou do primeiro policial.
Não tem como errar com uma possessão demoníaca, lembrou muito o episódio “I’ve got you under my skin” da primeira temporada de Angel, que foi uma das coisas mais assustadoras que vi em uma série de sobrenatural e Sleepy Hollow provou que essa receita criança + demônio, não tem erro. O que foi aquela torcida de pescoço no pobre padre? E aquela cara com trombose? Gente, é pra prejudicar o ritmo do marca passo.
Claro, não podíamos ficar sem um final de episódio que desse o gancho para o finale, lá estamos mais uma vez sendo tragados para dentro da história complexa da revolução americana e G. Washington. A bíblia tinha uma data escrita com um método invisível e datava com a escrita de Washington uma data posterior a sua morte. Engraçado que eles viram o demônio fazendo uma premonição, porém, assumiram de cara que aquilo lá havia sido escrito pós-morte do George, não foi lá muito inteligente, ele poderia ter escrito a data antes do fato, numa boa. Certo? Mas tudo bem, vamos ver até onde essa história vai.
Se os próximos dois episódios, que serão o season finale da primeira temporada não forem bons, ficarei extremamente decepcionado, especialmente por que a série fez, até agora, um trabalho exemplar em amarrar suas tramas, nos dar situações cada vez mais loucas e tudo isso enquanto aprofunda o relacionamento dos personagens e cumpre tudo o que uma série precisa entregar em 40 minutos. Só nos resta torcer muito, fazer umas macumbas e até invocar o poder de Moloch para que Sleepy Hollow feche seu primeiro ano com chave de ouro, mas só de lembrar que John Noble também volta, fica meio difícil imaginar que essa não será uma “conclusão” merecida para esse ano de estreia.
Ps. Ichabod finalmente trocou de roupa, foi rápido, mas foi válido. E o que aprendemos com isso? Skinny jeans são o primeiro sinal do apocalipse.
Ps². A série lidou bem com o encontro do Irving no episódio passado com o vendedor possuído, bem pé no chão. E nada do velho clichê: Ele tá ficando louco.
Ps³. Parabéns Amandla Stenberg, pensei que não poderia gostar mais da atriz após sua breve participação em Hunger Games, mas essa menina louca, possuída e quebrando tudo foi um show a parte.
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