Wednesday, December 4, 2013

[Reviews] Criminal Minds - 9.07/08: Gatekeeper/ The Return


Quando a proteção vira um perigo.
Contém Spoilers

Criminal Minds continua apresentando uma temporada constante. Óbvio, alguns episódios foram melhores que outros, mas no geral, o saldo é positivo. Gatekeeper tratou de um assunto que vem sendo constantemente usado nessa nona temporada. Como disse Tolstoi, todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira, e Criminal Minds conseguiu retratar isso com excelência.

Foi interessante ver a forma como construíram os elementos do episódio, ligando um fato ao outro. O unsub tinha um instinto protetor por seus vizinhos e matava qualquer pessoa que ele julgasse ser ameaça a eles. O primeiro passo para desenvolver essa proteção sufocante e delirada foi quando o unsub perdeu o filho de dez anos. Ele deixou o garoto sozinho com um amigo por três minutos e quando voltou, o menino estava inconsciente devido a uma brincadeira que havia dado errado. O estopim foi ter se separado da mulher. A partir daí, o unsub aproveitou-se do seu emprego de porteiro e passou a vigiar e proteger os seus vizinhos.

Só que não era uma proteção normal. O unsub matava as “ameaças” de forma semelhante a morte do filho, ele enforcava os suspeitos. E na cabeça dele, aquilo não era errado porque era uma forma dele se desculpar com o filho por tê-lo deixado sozinho. E era uma espécie de treino, de aprimoramento, porque sua ex-mulher estava grávida e ele queria provar que era capaz de cuidar da criança.

É bacana a forma como a série conseguiu retratar, dentro dos minutos que tinha, o declínio da consciência do suspeito. Uma das ligações mais fortes que temos durante a vida é com nossa família. Ver o rompimento desse laço foi culminante para deturpar a personalidade do unsub, ainda mais porque ele se via como culpado.

Reid foi um dos destaques de Gatekeeper. Nosso gênio é uma caixinha de surpresas. Foi sensacional vê-lo como parteira. Mais incrível ainda é saber que ele só memorizou o manuel de nascimento por causa da JJ, por ter medo que ela entrasse em trabalho de parto no meio de uma investigação. No meio de tanta crueldade, é bonito ver esse companheirismo dos agentes.


Aliás, a série vem evidenciando bastante a união da equipe. A relação entre os agentes não é apenas de trabalho, é bem mais do que isso. Eles são uma família, eles se apoiam um no outro. É delicioso ver todos se divertindo depois de uma estressante caçada a um serial killer, com direito até ao Hotch esbanjando sorrisos. Tem como não amar? 

9.08 - The Return 


Quanto maior é o poder, mais perigoso é o abuso”. – Edmund Burke

Algumas pessoas veem a vingança como forma de justiça, uma justiça fria e cruel. O pensamento mais comum é o de que você finalmente encontrará a paz e terá sua honra restaurada, mas, na prática, não é bem isso o que acontece. A vingança não vai numa única direção. Ela pode, inclusive, voltar-se contra a pessoa que a praticou. No final, quem busca vingança não sairá ileso de todo o processo.

The Return demonstrou bem isso. Um policial que foi delatado por um outro colega de profissão anos atrás volta para colocar sua vingança em prática. Para ele, todos os policiais do departamento de Chicago são traíras e merecem morrer. Confesso que as vezes fico abismada com os delírios que acometem os unsubs. Sim, porque o que esse cara estava fazendo era algo assustador. Ele perdeu toda a noção de humanidade.

Como se não bastasse todo o ódio que ele nutria pela polícia de Chicago, o unsub ainda sequestrava crianças e as submetia a um tratamento cruel. Ele fazia uma espécie de lavagem cerebral nelas, transformava-as em robôs, tudo porque ele precisava de servos fiéis e que não se desviassem do objetivo. Tem que ser extremamente insano para ter a capacidade de sequestrar e torturar crianças indefesas.

O único ponto negativo em The Return foi a facilidade com que prenderam o unsub. A expectativa que a série criou foi muito grande. Desde que prenderam o adolescente que estava pronto para atirar em sabe-se lá quantas pessoas, todo o episódio começou a ficar muito tenso. Quando a mulher bomba entra no departamento de Chicago, ameaçando detonar os explosivos a qualquer momento, o ambiente era de total aflição. Em vez de diminuírem isso gradativamente, a série quebrou de uma vez o clima de apreensão, o que me fez olhar com uma tremenda expressão de dúvida pro episódio. Foi muito ansiedade para que se desenrolassem algo complicado, porque a proposta era essa, mas as coisas acabaram sem maiores dificuldades.

Eu gosto bastante quando a série resolve explorar o ponto fraco dos agentes, mesmo que de forma extremamente sutil, como foi nesse episódio. Com certeza, o que mais deixa nossa queridíssima JJ baqueada no campo é quando temos criança envolvidas nos casos. A cena dela perguntando o nome do garotinho e ele respondendo como se já fosse um soldado foi excelente. Ali foi possível ver toda a vulnerabilidade da agente. E sem duvidas, JJ foi a personagem que mais cresceu em todos esses anos de Criminal Minds. A evolução da personagem foi magistral.

Outra coisa que já virou marca da série e é uma das coisas mais deliciosas de se assistir é o relacionamento do Morgan com a Garcia. Os dois nos proporcionam, em meio a tanta turbulência, diálogos leves e incríveis. E isso é bom, tira toda aquela carga negativa que os casos nos transmitem.

E ai, o que vocês acharam desses episódios?
Share:

Disqus for O Mundo das Séries

BTemplates.com

Labels

Blog Archive