Wednesday, November 6, 2013

[Reviews] Sleepy Hollow - 1.06: The Sin Eater


Devorando seus pecados com pão.
Alerta de Spoilers!


A espera foi longa, mas Sleepy Hollow voltou com episódio meio morninho e que totalmente valeu a pena por ter John Noble como um devorador de pecados com cabelinho estiloso e timing perfeito. A série ainda está caminhando para conseguir firmar seus pontos fortes e se distanciar de seus pontos fracos, dessa vez, foi mostrado que não é preciso ação desenfreada para nos entreter e que uma boa história compensa pela falta de tiros e pontapés.

É bem normal para séries estreantes às vezes mudarem o tom drasticamente, essa fase de adaptação é um tipo de teste com a audiência, tentando descobrir aquilo que o público aprova e aquilo que ele não é muito fã. Logo, não é de se chocar que as coisas no final venham aparentar certa instabilidade. É meramente nossa fase de crescimento, a série vai aos poucos acertando o passo em cima de pequenos detalhes que fazem toda a diferença para o tom. Por sorte, Sleepy Hollow já descobriu muito dos seus pontos fortes, só precisamos dar umas aparadas nos fracos.

Katrina é uma boa personagem, até gosto dela e também acho que ela e Ichabod tenham uma química muito boa como casal. E isso, por que ainda nem tivemos um relance de como os dois eram enquanto apaixonados, apenas vemos uma grande cumplicidade entre ambos. Só que, nessa semana ela acabou quebrando um pouco o ritmo de urgência que o episódio queria passar. Nós já sabemos que Ichabod não vai morrer tão cedo, o brilho de Sin Eater não é a antecipação da ameaça, mas sim a utilização de nosso querido John Noble.

Mas essa é a função da bruxa, suas aparições servem para conectar Ichabod ao passado, trazer Abbie para os perigos do futuro e nos dar um senso de união. União que foi todo o pano de fundo desse sexto episódio. Quer seja por parte dos maçons ou da união de Ichabod e seu coração enquanto um insurgente, Sin Eater não é apenas para molhar o pão no pecado alheio, é para unir todos os personagens debaixo de uma bandeira só, a revolução contra o apocalipse. E mais uma vez, Icky está no meio desse embate. Só que agora ele não está mais vinculado ao cavaleiro sem cabeça. E só por já terem sanado esse arco, eu já qualifico com saldo positivo.

Se eu pudesse escolher entre o trio de mulheres, Jenny, Abbie e Katrina, eu logo de cara riscaria Katrina. Apesar de todo meu amor pela ruivinha, as duas irmãs já dominaram meu coração e o que eu sinto é que a bruxa está aqui apenas para ser riscada logo a frente. Katrina é o cordeiro do sacrifício. Sua utilidade é essa, padecer em prol do bem maior, assim como Ichabod estava prestes a fazer (e fez). Não dá para ver outro futuro para ela em uma série que já tenha outras duas figuras femininas tão fortes. Jenny é ótima, melhor que a irmã, aqueles olhos esbugalhados são todo um charme a parte.

É nesse ponto que eu me foco quando as três aparecem no mesmo episódio. A força na interação dessas personagens com qualquer outro é muito peculiar. De um momento leve no começo com Abbie ensinando a Icabod os prazeres de gritar para um esporte, até a cena do mandato na porta de Henry, todas as interações entre essas mulheres é boa. Mas o espaço não é tão grande assim, alguém vai precisar sair. Quem será? Já que Katrina já está no limbo, ela bem que podia ir pro próximo estágio espiritual. Né?

Agora, me dedicarei a comentar a presença de John Noble na série. Eu já sabia que ele estaria nesse episódio, por isso, fui esperando um momento memorável. Essa antecipação foi muito grande, especialmente para mim e todos os outros que acompanhavam Fringe semanalmente e comemorava a cada renovação da série. É fato que o ator é esplêndido, quem acompanhou a jornada de Walter Bishop irá concordar comigo, o domínio e a presença que ele tem suga todas as atenções para ele, facilmente. Mas como um bom ator, sua presença foi super dosada em suas aparições. A série ainda não é dele, deveria, mas não é. A presença do devorador de pecados é uma salvação ao nosso herói que está na zona de morte, mas não tira o brilho de um personagem com potencial gigantesco para aparições futuras.

John é nobre (com o perdão do trocadilho) e soube conduzir a cena sem roubar o palco para si, mesmo nosso foco estando totalmente lá. Ele literalmente come o pecado. Enquanto eu e você passamos manteiga ou geléia em nossos pães, Henry Parish molha na massa negra de pecado alheia e santifica a pessoa no processo. Confesso que a partir de agora, comerei meu pão puro, nada mais poderá se igualar a tão grandiosa façanha. E esse personagem tem todo meu amor, desde já. Eu aceito que Jonh Cho não apareça mais com seu pescoço retrátil, mas dificilmente aceitarei que Henry Parish tenha sido uma participação de um episódio só.

Assim como a adição dos maçons e a explicação do motivo pelo qual Ichabod se juntou a revolução, esse episódio foi galgado em uma bela demonstração de que a inclusão de tramas em uma história que basicamente já está desenvolvida pode ocorrer com fluência e sem maiores prejuízos.

Para mim, esse foi um episódio mais morno e compreendo muito bem. A tensão aumenta no mesmo ritmo que a história se desenvolve. O cavaleiro, que era apenas uma ameaça no final do episódio passado, agora já é uma realidade para o próximo. Vamos ver como será a interação entre Abbie, Ichabod e os maçons. Outro aspecto que a meu ver, só tem a acrescentar.

Ps. “Existem duas coisas que você precisa segurar pelo máximo de tempo na vida, virgindade e ceticismo”. Sleepy Hollow, escola da vida.

Ps². Mais um demônio pro nosso bestiário. Pena que não mencionaram o nome.


Ps³. Abbie se controle, Ichabod é um homem casado, com uma bruxa presa no purgatório, mas é.
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