Tuesday, November 5, 2013

[Reviews] Criminal Minds - 9.05: Route 66


Emocionalmente pesado.
Contém Spoilers

Quase cem episódios depois, Criminal Minds retoma o que foi um de seus mais aclamados arcos e parte dele para construir outro ótimo episódio. É praticamente unanimidade entre os fãs que o 5x09 foi um dos melhores, se não o melhor episódio da série. Tudo nele foi muito bem construído, roteiro praticamente impecável. Foram quarenta minutos sentindo um turbilhão de emoções. Tensão, aflição, esperança de que o Hotch chegaria a tempo, esperança de que a Haley não morreria… No fim, após ouvir o Foyet atirar na Haley, ficamos como os agentes, imersos em um mar de silêncio. O desfecho foi cruel e era inevitável não derramar lágrimas diante de toda aquela situação. Encerrava-se ali o arco do pior serial killer de Criminal Minds.

Como já dito, aproveitando o clima de aproximação do ducentésimo episódio, a série busca justamente a trama do seu centésimo episódio e a explora aqui de uma forma bem reflexiva. Alguns podem até achar que ficou meio deslocado a inserção dessa trama no começo da nona temporada e defender que isso já deveria ter sido feito antes. Porém, mesmo após tanto tempo, a meu ver, a história se encaixa perfeitamente aqui por dois motivos. O primeiro motivo é bem simples e tem a ver com o fato de estarmos perto do 200º episódio. Já o segundo motivo implica em acompanhar e analisar o personagem Hotch após o evento traumático. Teve-se mais tempo para observar as atitudes do chefe e, assim, poder entender o objetivo de Route 66.

Depois de passar mal na sede do FBI, Hotch foi levado para o hospital e lá se descobriu que as cicatrizes provenientes do seu encontro com George Foyet estavam causando-lhe uma hemorragia interna. Simultaneamente a isso, a equipe corre contra o tempo para capturar um homem chamado Eddie e que supostamente havia sequestrado sua própria filha. Porém, como vimos no desenrolar dos fatos, a menina queria estar com o pai, pois preferia viver com ele do que com sua mãe.

Os dois casos são extremamente semelhantes. Hotch e Eddie passaram por eventos traumáticos em suas vidas. Aaron por toda a história com o Foyet, além de ter presenciado a morte de sua ex-mulher, e Eddie porque sua mãe morreu em seu parto e depois, com cinco anos, ele viu seu pai cometer suicídio. Entretanto, a maior similaridade entre ambos é bem mais profunda, e pode ser resumida em uma palavra: perdão.

Enquanto era submetido a uma cirurgia, Hotchner passava por, digamos, sua experiência de quase morte. As cenas que se sucederam dessa experiência foram emotivas e bem bizarras. Hotch e Haley estavam em um teatro assistindo uma espécie de filme da vida do agente após a morte da ex-mulher. Era para a Haley estar ali, certo? Mas ela não estava, e não estava porque tivera sua vida ceifada por George Foyet. Só que, não havia mais nada que o Hotch pudesse fazer por ela. Nada mudaria o fato de que ela morreu e o agente precisava enxergar e aceitar essa condição.

O que era retratado na série não era a crença depois da morte, a vida depois da morte ou o perdão depois da morte. Era o perdão para quem ainda está aqui, para os vivos. Não era o assassino que o Hotch não perdoava. Ele não SE perdoava. Era como se o Hotchner se sentisse um super herói, ele precisava salvar sua ex-mulher. Oras, ele que trabalhava salvando a vida das pessoas, não foi capaz de salvar a vida da mãe do seu filho. E essa culpa o atormenta e o acompanha desde o acontecido. Só que, novamente, não existia mais nada que ele pudesse fazer pela Haley. Entretanto, ele ainda podia fazer algo pelas pessoas que estavam ao seu lado: os agentes, o Jack e a Beth.

E como interpretar o Foyet e a Haley em clima de amizade? No momento que ele viu que a Haley estava feliz e até mesmo em um lugar onde ela olhava por ele (como num filme), e que ela poderia ter perdoado o Foyet, ele conseguiu ver que precisava se perdoar. Nosso agente estava muito ligado ao passado, esquecendo até de si próprio, como se ele tivesse sido sepultado junto com a Haley. Quando ele percebe que ela perdoou o assassino, na verdade é como se algo estivesse dizendo para ele, perdoe a si mesmo. Era a possibilidade do Hotch enxergar uma vida nova. A partir do momento que ele aceitar o perdão, começara a ter uma nova visão do ser humano. Enquanto você não se perdoa, você não se encontra.

O que acontece depois da morte é pressuposição de cada um. Quando você acredita em alguma coisa, é mais fácil compreender que tudo pode acontecer, inclusive o perdão. Esse perdão é interior, não vem do mundo. Ali, o Hotch buscou o perdão para si mesmo.

Já sobre o Eddie, ele era um pai que amava de uma forma totalmente errada. Era criminoso, já havia matado muitas pessoas. Porém, existia um coração bom nele, ainda que esse coração só tenha sido bom para sua filha Samantha. A garota preferia ter um pai na cadeia para quem ela pudesse escrever, visitar e abraçar, do que um pai morto. A ausência para ela era tão doída que ela conseguia amá-lo com todos aqueles defeitos. Ela não queria perdê-lo, não queria mais ser abandonada, e ai, certamente, ele viu que a dor da filha, tudo o que ele provocara nela, era o que a ausência do seu pai tinha provocado nele. E a partir do momento que ela volta e diz para ele que não o deixaria, Eddie se sente importante, porque ele via naquela menina, que foi a única razão de um momento na vida ele ter sido bom, a possibilidade de um recomeço. Naquele momento ele também se perdoa, porque não adianta querer voltar ao passado, como ele estava tentando fazer. O amor e o perdão da Sammy trouxeram o perdão dele.

Os dois casos tratam da cura interior. Eddie matou além de todas aquelas pessoas, a si mesmo. Hotch fora enterrado com a Haley. E os ocorridos servirão para que ambos possam se desarraigar do passado. No fim, tudo que a gente precisa para ser feliz é de perdão e amor.

Uma outra parte bastante forte desse episódio foi quando a JJ se dispôs a falar de uma dor íntima e muito profunda para tentar ajudar o Eddie. Era perceptível que não havia sido fácil dizer aquilo, ter que relembrar o passado, sentir todas as dores lhe abraçando novamente. O sofrimento da agente foi nu e cru. Nesses momentos de fraqueza dos nossos agentes, eu sinto uma imensa vontade de guardá-los todos em potinhos e esconder do mundo, porque, se tem outra coisa que Route 66 mostrou, é que o mundo, ou melhor, a vida, vai te encher de porradas, e no meio dessa loucura toda, estar bem consigo mesmo, estar em equilíbrio, é essencial.

PS: A placa do carro do Rossi (509 905) no sonho do Hotchner fazia alusão ao episódio 5x09, que é o da morte da Haley, e a esse episódio.

PS: I'll wait for the movie. - Morgan <3


E aí, o que vocês acharam desse episódio?  
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