Saturday, November 9, 2013

[Reviews] Agents of S.H.I.E.L.D. - 1.06: F.Z.Z.T.


O melhor episódio da série, até agora.


Alerta de Spoilers!

Agents of S.H.I.E.L.D. é um caso extremo de amor e ódio. Infelizmente, até agora o ódio tem sido maior do que o amor, pelo menos para a maioria. A explicação é bem simples, a falta de conexão com os personagens principais.

Pelo menos depois de “F.Z.Z.T.” essa falta de relevância dos dois cientistas diminuiu e muito, nesse que para mim, foi o melhor episódio da série até agora e com a maior carga emocional.
Enquanto Ward continua mecânico e mais robótico que toda a especulação sobre Coulson, os tech gêmeos que não são irmãos roubaram toda a cena e começaram a destruir aquela imagem pastelão que os dois tinham. Toda boa interação entre eles acabou sugando Skye para dentro da bolha que foi essa adorável quase despedida de Simmons. Não tenho do que reclamar, foi um ótimo episódio e mesmo que a ação tenha sido quase nula, eu gostei. S.H.I.E.L.D. não precisa exagerar na ação e em homens que explodem para criar uma boa dinâmica, basta ser inteligente e saber usar os personagens que tem. Ou matar um a um até só sobrar o Coulson e a May, que são os melhores da série toda.

O que não funciona muito bem é esse excesso de preocupação com os Vingadores. Essa muleta já deveria ter sido dispensada há muito tempo. Parece que esse assunto é só para nos fazer ter certeza de que essa é uma série derivada do mundo Marvel. Nós já sabemos, foi por isso que nos preocupamos em assistir e continuar com ela, apesar de não ter cumprido a promessa que fez de ser a transposição dos filmes para a televisão.

Ainda estamos vivendo o pós-invasão Chitauri e as consequências que o embate em New York teve sobre o mundo, quer seja sobre aqueles que participaram diretamente do episódio (como os bombeiros) ou aqueles que só viram (de longe ou perto) como a Skye e todos os outros personagens que apareceram na série até agora e que disseram as palavras “aliens e New York” na mesma frase. Logo, estaremos saboreando o pós Thor: Mundo Sombrio, essa ligação entre a série e os filmes é legal para quem é fã do mundo Marvel no geral. Para quem só queria aproveitar uma série de ação com algo a mais, acaba ficando um pouco chato esse monte de referência aos filmes. Mas o que eu penso é o seguinte: Agents of S.H.I.E.L.D. não é uma série para quem nunca teve um envolvimento com o material a qual ela deriva, quadrinhos ou cinema. Deveria, mas não é.

Bem diferente de Arrow, por exemplo. Não apenas fãs da DC ou dos quadrinhos do arqueiro acompanham a série e gostam dela. Ela conseguiu manter sua conexão e ao mesmo tempo criar sua própria identidade. Claro que isso se dá ao fato da DC só ter o Batman e o Superman com rentável sucesso e qualidade nos cinemas, diferente da Marvel que conseguiu juntar um grupo de heróis. Arrow tem essa liberdade a mais.

Esse vírus do episódio, por exemplo, poderia muito bem ter vindo de outra origem que não fosse dos Chitauri. Mas essa camisa de força que os filmes colocaram na série é muito mais forte. Enquanto elas permanecerem no mesmo universo, o que é pra sempre, a série não poderá andar mais rápido do que os filmes. Nós perdemos e muito com isso, já que a gama de vilões e heróis que poderiam ser incluídos na série para deixar as coisas mais interessantes é barrada pelas possibilidades que esses tem para os filmes, que acabam sendo mais rentáveis do que a série.

Ou seja, enquanto ela não se aprofundar na mitologia da Marvel que já existe, mas ainda não foi utilizada, eu vou continuar pensando que Agents of S.H.I.E.L.D. foi criada única e exclusivamente para dizer para a DC que eles não estão sozinhos na TV.

Por outro lado, já começamos também a ver mais da política existente dentro da agência de espionagem mais egocêntrica do mundo. A S.H.I.E.L.D. sempre teve uma relação muito conturbada com a sociedade de humanos superpoderosos e mutantes. Foi com grande cooperação dela, que durante o arco de quadrinhos “Civil War” houve a maior cisão entre heróis, colocando Homem de Ferro e Capitão América chefiando grupos opostos e quebrando o pau por causa disso. Isso sem comentar o fato de que ela usa vilões para capturar heróis nessa saga. E a Maria Hill já falou sobre os não registrados no primeiro episódio da série. Mas isso é uma história longa demais para aprofundar aqui. A verdade é que não existem relações interpessoais dentro da S.H.I.E.L.D. o grupo de Coulson é algo a parte, e é nesse ponto que mora todo o perigo.

Falando em Coulson, eu já estou ficando meio cansado dessa quantidade de “pistas” que a série joga em cima de nós, questionando o que realmente o agente é. Robô, clone, tanto faz. Minha preocupação central quando penso na série não é isso e não consigo tirar da cabeça que com tanta dica que nos empurram goela abaixo, a verdade seja completamente diferente e/ou bem menos legal do que eles querem fazer parecer.

Outra coisa que me deixou muito contente com esse episódio foi poder assistir a história que era centrada em Fitz e Simmons sem precisar ser bombardeado por segredos e mistérios do passado dos dois. Já basta May, Coulson, Skye e Ward com os segredos do grupo. A série não precisa desse tipo de peso, as discussões sobre passado, mortes, mistérios, já tem sua cota em outros personagens. Só ergo as mãos aos céus e peço a Victor Von Doom que não estraguem os dois com esse tipo de “bagagem” dispensável. Essa separação dos dois cientistas do restante do grupo tem a função de desenvolver a identidade de ambos, que de parecidos, só tem o ânimo pela ciência, nada mais.

Até mesmo a forma com que o episódio tratou a ameaça foi muito mais interessante do que ela fez anteriormente. O perigo que imaginamos ser para os bombeiros, terminou na metade do episódio. Uma agradável surpresa, já que fiquei imaginando que ainda teríamos mais bombeiros para salvar até o final, graças aquela foto. Ainda bem que não foi bem assim. Até mesmo a comédia foi mais suave e menos forçada. Achei engraçada a cena dos cientistas e da Skye imitando o Ward, também gostei das pequenas piadas que eles soltaram como a comparação do Capitão América com Big Lebowski e o fato do Fitz não gostar de cadáveres no laboratório por causa de um fígado felino.


Ao que tudo indica, o próximo episódio será centrado na interação entre Fitz e Ward. E é exatamente isso que a série está precisando, colocar personagens que não tem muito em comum, no mesmo barco (por que no mesmo avião não tem funcionado muito bem). O resultado final de “F.Z.Z.T.” é positivo. Mostra que a série tem capacidade de fazer melhor do que vem realizando e que talvez, nossa paciência com ela será recompensada mais a frente. 
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