Thursday, June 13, 2013

[Primeiras Impressões] Devious Maids


É tão ruim, que eu gostei. 


Devious Maids é uma produção de Marc Cherry (o mesmo de Desperate Housewives), produzido por Eva Longoria (a mesma de Desperate Housewives) e exibido pelo canal Lifetime, já que a ABC (de Desperate Housewives), não quis a série para sua grade. A série é baseada na novela mexicana chamada " Ellas son la alegría del Hogar", algo como elas são a alegria do lar. Na trama, acompanhamos a vida de 4 empregadas domésticas de origem latina, tentando realizar seus sonhos na cruel Beverly Hills, enquanto trabalham para as famílias mais ricas e influentes do local.

Tudo bem, já começamos sabendo que essa série é a promessa de substituição de Desperate Housewives. Sim, só uma promessa. O sucesso de DH que lhe garantiu oito anos no ar, foi o fator "novidade", uma série sobre donas de casa que não eram o modelo das donas de casa que já estávamos acostumados (perfeitas, prestativas e felizes), eram mulheres comuns, com problemas comuns e resoluções fora do normal. Tudo isso, ligado pelo mistério da temporada, o suicídio de Mary Alice Young, que não só nos presenteou com uma temporada maravilhosa, divertida e picante, como também nos agraciou com a melhor narradora de uma série até hoje, fazendo com que a voz onipresente e onisciente de Mary Alice fosse um personagem a parte e muito bem trabalhado, não só uma voz.

Devious Maids não apresenta nada de novo, além de uma leve sensação de novidade com o tema abordado. Empregadas latinas, algo muito comum nos Estados Unidos, mas só lá. Esse é problema central da série, impor uma classe que só é compreendida pelos norte americanos, local onde milhares de imigrantes ilegais entram nessa camada do mercado de trabalho, por não precisarem de um green card para isso. Ao contrário de Desperate Housewives, que trazia o arquétipo de todo o tipo de mulher diferente, tinha a executiva com filhos, a que casou por interesse, a que era comum, a que era perfeita (do lado de fora), a cougar. Não tinha uma mulher que não conseguisse se identificar com uma das personagens em pelo menos um momento especifico durante oito anos. Mas nem todas as mulheres são domésticas, nem todas passam pelos mesmos problemas que essas Devious Maids passam.

Assim como na primeira temporada de Desperate Housewives (e várias depois), o premiere começa com uma morte. A misteriosa morte de Flora, que tinha um caso com o patrão o canalha Adrian Powell, casado com a afetada mulher de aparências Evelyn Powell (a rainha Mab de True Blood). A tentativa de fazer com que a morte de Flora fosse o choque do momento, falhou, falhou grande, feio e rude. O tango protagonizado entre o casal maquiavélico e o misterioso homem que esfaqueia Flora foi tão pobremente executado, que o resultado final foi perto do amadorístico.  Mas, não é essa a ideia do mistério por trás da morte dessa empregada, a ideia é outra, criar o suspense, a trama da temporada. Mas isso deve ser apenas o pano de fundo, o interesse mesmo, tem que ser na vida dessas mulheres, já que o mistério da temporada acaba com a temporada. Para que as pessoas voltem para o próximo ano (ou próximos episódios) é preciso que exista um apego aos personagens, não somente a trama ou o mistério.

E é então que entra a carga emocional, que precisa ser muito forte para criar a conexão entre o telespectador e o personagem. Por exemplo, a personagem da Dania Ramizez (a Maya de Heroes), tem um filho que teve que ficar no país de origem dela e não pode ir para os Estados Unidos, mas que agora, ela tem a oportunidade de trazê-lo. No momento em que ela conversa com o filho, aquela cena era a conexão entre a personagem e todas as mães, sendo assim, não era preciso que a mulher fosse uma doméstica para se identificar com a cena, nem ao menos era preciso que fosse uma mulher, já que a família que existe hoje não se limita a mãe e pai, apenas. Só que a interpretação da Dania é tão fraca e forçada, que mesmo assim, só a patroa dela a ex Lorena de True Blood chega a quase se emocionar. Quase. E a série perde então um ponto que poderia ser o fator "me identifico", ou usando o novo meme "me representa".

Devious Maids não representa quase ninguém. Os cenários são estranhos, as interpretações são forçadas, não existe mistério já que a personagem Marissol deixa bem claro que destoa a turma de empregadas e que está lá por outro motivo. Ela é mãe do menino que foi acusado de assassinar Flora. No geral, existem poucas coisas interessantes na série. Existe comédia? Claro, o toque de Marc Cherry está lá, a comédia vingativa, as mulheres auspiciosas, inteligentes e sagazes, tudo isso já é parte da natureza do roteiro, já esperamos isso, já que passamos oito anos vendo essas atitudes. Já vimos as mudanças de roupa, as cenas de mulheres que parecem meigas e nos surpreendem, o tom ácido e venenoso. Já vimos provamos desse bolo antes.

É tão ruim assim? Não, eu gostei. Gostei de verdade, sentia falta disso tudo, da música instrumental tocando ao fundo, dos olhares venenosos. A verdade é que Devious Maids é tão ruim, que eu achei boa. Boa pelo potencial que ela tem, que fique bem claro. 

Essa é uma série que faz o papel de substituta de DH (ou pelo menos é o que ela pretende), muitos são os fãs que ficaram órfãos depois do fim emocionante da série, eu sou um deles, escrevi as reviews da última temporada da série e chorei com Wonderful Wonderful do Johnny Mathis.  Então, é bom saber que temos outra série no ar com esse papel de calçar os sapatos das donas de casa. Mas os sapatos das donas de casa eram caros, chiques, louboutin do solado vermelho, os calçados das empregadas são chinelos crocs e galochas, vamos torcer que elas consigam acompanhar as pegadas das suas antecessoras e fazer melhor, evoluir a formula que amamos. Potencial tem, só falta empregar isso na tela.
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