Thursday, March 13, 2014

[Reviews] Black Sails - 1.07: VII


Um episódio cheio de decepções.


Sim, não era isso o que eu esperava do penúltimo episódio da primeira temporada da série. Depois de toda a emoção que foi o sexto episódio e a tensão levantada com a aproximação do navio inglês Scarborough eu imaginei que teríamos um desfecho melhor para a fuga do Walrus. Porém, o que vemos é nada.

Nada, a série simplesmente cortou o clima pela raiz e fomos levados direto para o momento em que o Flint já se encontrava dando o debriefing da missão para Eleanor. Isso foi um corte de tesão mais violento do que a cena em que a Anne e o Rackham tentavam compartilhar um momento especial juntos.

A série passou cinco episódios trabalhando alianças e maquinações para nos preparar para o acontecimento final da temporada.  O justo para com a audiência seria se a série nesse momento aumentasse mais ainda o ritmo e o deixasse próximo a ser frenético. Condizente com o animo que os próprios piratas deveriam se encontrar antes desse confronto.

Decepção também foi o que Eleanor sentiu. Mr. Scott não só a traiu uma vez como decidiu a abandonar novamente. Nos momentos em que ela se viu com ele ao seu lado novamente ficou clara a aura de felicidade e alivio. Apesar de ser forte, Eleanor ainda precisa do Scott que além de representar uma figura paterna para ela mais forte do que o próprio pai, ainda é responsável por mantê-la sã. Imagino que logo o jogo de poder irá consumir o bom que exista em Elanor e  Scott seria a forma disso não acontecer. Ou seja, ele estar longe poderá nos dar uma personagem muito mais interessante do que ele lá, a colocando debaixo de suas asas.

Eu gostei da maneira com que o Flint foi desenvolvido, ou vem sendo desenvolvido até agora. Ele não é só um anti-herói. Ele é um praticamente um vilão. E será enquanto a série não nos dizer o que realmente houve em seu passado com a Sra Barlow. Ao ser confrontado pelo Gates ele responde todas as perguntas com outras perguntas, se desvencilhando de qualquer responsabilidade pelo que aconteceu com o Billy e até mesmo justificando que ele roubar dos seus homens é um favor. Flint é um sociopata, seu desprezo pelos outros é evidente e fica cada vez mais destacado.  Em todos os momentos em que ele foi confrontado o capitão tentou virar a situação de uma forma a fazer as pessoas abraçarem sua causa. Foi assim com o Billy, com a Eleanor e com o Gates. No último caso ele só acha que foi bem sucedido. E bem, com a Barlow ele só tenta, mas de sociopatia aquela lá entende muito bem, o padre chorão que o diga.

Logo, a série levanta questões que vão além do sucesso da missão de saque. Nós precisamos saber quem é o capitão Flint. Quem é esse homem e o que ele realmente pretende? Fazer um reino em Nassau a sua imagem e semelhança? Vingar-se? Muito mais do que saber se esses piratas vão conseguir ou não saquear o Urca de Lima, eu quero saber o que Flint fará com o resultado. Sendo o sucesso, ele irá roubar uma parte do saque para si? Sendo o fracasso, quão fundo ele cairá?

Fiquei um pouco chateado também com o que aconteceu com os escravos que estavam no navio. Eles ajudaram o Flint a conquistar o navio e a paga pelo serviço prestado é voltar a escravidão e serem oferecidos para gerar lucro? É, essa série não é como as outras e os arquétipos de heroísmo e bondade não devem ser levados em conta aqui.

E é com muito orgulho que eu anuncio que ao que tudo indica, a boa e velha Max está de volta. Ou pelo menos se preparando para um retorno triunfal. Isso era o mínimo que a série poderia fazer por nós. Depois de transformar a melhor personagem da série em algo de dar pena, a faceta inteligente e sagaz da garota voltou a ser destaque no episódio. Para mim, ela e o Calico Jack deveriam logo assumir uma parceria e tocar o puteiro juntos, em todos os sentidos da coisa.

Mas claro, se Max ajudou a quebrar essa decepção que foi o sétimo episódio, Vane também cooperou muito. Sua ascensão do túmulo, sujo, nu e selvagem foi uma das coisas mais brilhantes que a série poderia ter feito com o personagem. Mesmo que seu percurso na série tenha sido meio fraco e quase apagado, sua trama foi muito consistente. De um capitão temido, a um pária da sociedade, drogado e excluído, mas agora com uma missão e um grupo voraz ao seu lado. Foi uma construção de personagem que encontrou justificativas durante o caminho percorrido. Sinto em dizer, mas aparentemente o gigante barbado que ele matou não era mesmo o Barba Negra (original). Na história ele não foi tido como responsável pelo assalto a Cartagena e muito menos morreu em uma tribo reclusa de ex-piratas.

De todas as amizades, de todas as alianças, quem diria que Silver e Randall seriam a mais interessante delas? Uma pena que isso só veio a acontecer agora no final da primeira temporada. Meu único medo é que já no próximo episódio essa dinâmica seja completamente riscada e esquecida. Espero sinceramente que isso não aconteça, já que no futuro essa relação será muito importante para o Silver.

Mapa na garrafa 1: O que esse episódio não mostrou de peitinho ele mostrou de pinto balançando. Se o resultado foi bom ou não, vocês que devem me dizer.

Mapa na garrafa 2: Anne e Rackham ensinando técnicas valiosas para um momento agradável a dois. “Bom. Você quer algo enfiado no seu rabo?” “Não, não obrigado.”

Mapa na garrafa 3: Eu acho que o Flint, a Sra Barlow e o marido dela eram todos um “casal”. A sociedade descobriu, os puniu e a série é na verdade sua luta pelos direitos do amor livre.

Mapa na garrafa 4: Sei que muitas pessoas reclamaram das referências que fiz nas reviews passadas a Treasure Island. Black Sails é prequel de Treasure Island, um livro que já tem mais de 130 anos e já recebeu dezenas de adaptações. Se mesmo assim, você decidiu que não irá acompanhar nenhuma delas, existem piratas na série que realmente existiram historicamente, a Urca de Lima, por exemplo, existiu. Em alguns casos é necessário fazer essas comparações e sempre tenho o cuidado de não revelar informações que possam estragar a experiência de ninguém. Quando comentei o fato da morte do Billy no episódio 6, saibam que isso foi uma informação que pode ser encontrada meramente lendo a sinopse do livro, por isso não julguei como spoiler e não julgo.

Mapa na garrafa 5: Os cortadores de madeira são um fato interessante da história. Por volta de 1700 (e pouco), era moda queimarem     o tipo de madeira que esses homens cortavam, já que elas expeliam um agradável aroma. Por toda Europa as pessoas a utilizavam como um tipo de incenso e por isso era um mercado lucrativo.

Mapa na garrafa 6: Esses homens,  se alimentavam basicamente de carne de porco defumada, que eles chamavam de “boucan” ou bacon.




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