Friday, November 22, 2013

[Reviews] Sleepy Hollow - 1.08: Necromancer



Invocando demônios e desvendando o passado do Cavaleiro.


Demorou um pouco, mas agora já sabemos quase tudo o que precisamos saber a respeito do Cavaleiro sem cabeça.  Depois de vários episódios preocupados em nos mostrar flashbacks de Ichabod e Katrina, nada mais justo do que um quase que totalmente focado no cavaleiro, a figura misteriosa que tem como objetivo trazer dor e sofrimento a humanidade e especialmente a nosso querido senhor Crane.

Primeiro quero deixar meu agradecimento aos roteiristas da série que começaram esse episódio com um dos ensinamentos mais valiosos para a sobrevivência de Ichabod nos tempos modernos. O soco comemorativo. Sleepy Hollow é isso, uma gota de sabedoria por vez.

Brincadeiras a parte, quero dizer que esse episódio me deixou um pouco insatisfeito. E o motivo é a forma de lidar com o passado do nosso vilão da temporada. Uma pequena falha é deixar esse flashback que tanto pedimos muito explicativo, didático demais. Na cena em que é revelado que o cavaleiro é na verdade Abraham, nós somos forçados a vivenciar pela segunda vez o flashback de Ichabod lutando com o amigo no meio da floresta. Desnecessário. Outro ponto é que nós já tínhamos entendido muito bem que o cavaleiro era o até então melhor amigo de Ichabod, já sabíamos o motivo, que era Katrina, só precisávamos chegar ao momento em que isso acontecia. Mas ficar indo e voltando em flashbacks picados que não acrescentam muito ao que está acontecendo no presente não é a forma mais inteligente de nos entregar essa história. Não foi ruim, mas também não foi tão bom assim.

Pra ser honesto, tirando a informação de que o Cavaleiro tem um problema pessoal com Ichabod, o resto foi bem clichê. Se no primeiro episódio da série Ichabod apresenta Katrina como esposa, teria sido mais interessante ver a motivação do Cavaleiro ser outra.  Mas tudo bem, não temos tempo para perder e condensar os fatos pode ter sido mais importante, mesmo que isso tenha sido também mais preguiçoso. Mas, conseguiram com essa abordagem responder uma das primeiras indagações que tivemos, o porquê da alma dela estar presa no purgatório. Sem Katrina o capiroto não tem vantagem sobre o Cavaleiro. E ele precisa dessa vantagem, nosso Andy pescoço doido provou que apesar de serem praticamente escravos do tinhoso, eles ainda permanecem com certa liberdade.

Não sei ainda se todos os serviçais do capiroto venderam a alma, mas a devoção dos hessianos para com ele é bem forte e vejo a concessão de alguns dons a esses lacaios. Por isso, hessiano bom é hessiano que fala com cavalos. Nosso momento Dr. Dolittle foi outra das coisas deliciosas que Sleepy Hollow nos passa semanalmente e que é digno de entrar para o mural do esquisito da cidade. Isso só nos mostra que aquilo que a série vinha pregando desde o começo está sendo utilizado. Os vilões estão espalhados por toda a parte e sempre preparados para atender ao chamado das trevas, quer ela seja em forma de Cavalos de olhos vermelhos, ou visões com o capiroto. Isso por que nem estou comentando a invocação dos demônios no final do episódio. Mais uma vez, obrigado pelo bestiário Sleepy Hollow.

A utilidade do Andy também foi ótima. Até por que, não só o Irving ficou chocado com a sugestão de interrogar um homem que não tem cabeça, eu também fiquei imaginando como eles iriam fazer isso, se seria através de um sonho ou outra forma mágica. É uma pena Katrina não poder interferir muito no mundo real, ela seria uma grande adição nesses momentos. Pelo menos a explicação para o feitiço que existia dentro da sala onde o cavaleiro ficou preso foi legal. E a resumo com uma fala:

"[Jefferson] previu aprisionar os piores tipos de demônios que poderiam andar na terra, um produto sem dúvida, de seus anos tentando racionalizar com os franceses".

Já que comecei a falar do Irving, venho agradecer de todo coração que colocaram Jenny para interagir com ele ao invés de deixarem a moça no cubículo com Abbie e Ichabod. Já disse que ela tem uma presença enorme e já li mais de uma vez que existe todo um ar de Sarah Connor ao redor dela, nada mais justo do que a deixarem mais livre. E é engraçado ver como ela combina bem com o capitão. Essa divisão de casais foi um dos maiores acertos da série até agora. E quem sabe não encontramos nosso segundo shipp? Irnny?

Outro dos acertos de Sleepy Hollow é saber usar muito bem as referências históricas para praticamente quase tudo que acontece semanalmente. Em Necromancer tivemos a presença de um certo Adams, o dono da loja que foi roubada e que escondia o artefato utilizado para quebrar o feitiço que protegia a prisão do cavaleiro. Adams ao que tudo indica é descendente de John Adams, o segundo presidente dos Estados Unidos. Pelo visto todas as figuras políticas de Sleepy Hollow tem alguma ligação com o apocalipse, só que dessa vez, uma ligação boa. Não gosto nem de pensar se a série se passasse no Brasil e dependêssemos de figuras políticas pra sobreviver ao fim dos tempos, acho que eu acabaria me aliando ao capiroto.

Pela primeira vez também lidamos com um Ichabod mais emocional do que o usual. O cavaleiro conseguiu o fazer perder a cabeça mesmo sem precisar decapitá-la. Parabéns! Abraham também é saído do conto de Irving. Lá, ele é o galante Abraham Van Brunt, ou Brom Bones que disputa o amor de Katrina com Ichabod e por um momento até assume a identidade do Cavaleiro sem Cabeça para assustar Crane e fazê-lo fugir da cidade. Aqui, ele não é só isso, também é o cavaleiro sem cabeça, mostrando que o recalque por perder a mulher desejada pode ser mais perigoso ainda quando a alma é vendida no processo de se conseguir a tão sonhada vingança.

Esse episódio é o tipo “Bottle episode”, ou episódio de garrafa. Bem menor e mais limitado (apesar da cena com a explosão) com um foco maior nas falas e no desenvolvimento da história e dos nossos personagens principais. Logo, essa centralização nos túneis abaixo da cidade foi muito bem guiada para criar todo o sentimento de tensão. Todo mundo imaginava que uma hora ou outra alguém tentaria cortar a energia da cidade para conseguir libertar o cavaleiro, isso era esperado e bem previsível. Foi à revelação que importou mais do que imaginar se iriam ou não libertar Abraham sem Cabeça.  

É graças a essa relação que a ironia coloca Katrina como responsável por ter ligado magicamente o homem que ama ao antigo noivo, mesmo que sem saber (assim espero). Quer ligação pessoal maior que essa? Se o cavaleiro tivesse boca ele estaria espumando de ódio, imaginem, seu maior inimigo e você nem ao menos pode matá-lo sem morrer no processo e assim correr o risco de perder o prêmio que tanto aguarda? Que barra.

Agora, só precisamos de um episódio inteiramente focado em Katrina para que todos os personagens principais já tenham sua fatia de backstory preenchida. Depois disso, nos deem um episódio focado em Jenny e Irving e eu estarei completamente feliz com a série. Na verdade, não completamente, por que eu ainda quero um episódio só do Andy com o pescoço doido dele, mais nada.

Ps. Casos de Família. Tema: Meu amigo vendeu a alma pra tentar roubar minha esposa.

Ps². A tabela de culpa do Ichabod acabou de ganhar mais um nome abaixo de Arthur Bernard.


Ps³. Um viajante no tempo, um capitão, uma testemunha, uma louca e uma feiticeira. Precisamos encontrar um nome para essa equipe urgentemente.
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