Monday, October 28, 2013

[Reviews] Nashville – 2.04: You’re No Angel Yourself


“...No final do dia, Senhor eu rezo, Para ter uma vida que seja boa….”

Contém Spoilers!

Em algum momento da vida nada parece ser mais reconfortante do que libertar seus fantasmas e ter como ouvinte alguém que não te julgue, não te cobre e apenas o escute. Um amigo próximo, um desconhecido, alguém que sempre esteve ali, mas você não deu muito valor, enfim, qualquer um disposto a ouvir seu simples desabafo e quem sabe até lhe mostrar um caminho menos obscuro para você até então. Sem glamour, sem grandes performances musicais, sem disputa de poder, o foco deste episódio foi a simplicidade e ao mesmo tempo a complexidade dos sentimentos e das escolhas.

Todos os personagens tiveram destaque e surpreendentemente de uma forma pouco superficial, colocaram para fora seus fantasmas e enfrentaram seus medos. Rayna e Maddie conseguiram se aproximar com a interferência de Juliette, em cenas simples, sem grandes alardes e que reforçam a ideia de que a solução de alguns problemas está no desapego de achar que você está sempre com a razão. A relação de Maddie e Rayna talvez nunca volte a ser como antes, mas o simples fato de Rayna estar pronta para se abrir e Maddie estar pronta para ouvir, é o ponto inicial que ambas precisavam para começar uma nova fase. Maddie merecia estas cenas após aparecer em quase todos os episódios desta temporada, apenas como uma adolescente chatinha e revoltada. Por mais que os motivos sejam fortes, seu comportamento demasiadamente adolescente prejudicou um pouco a personagem. Agora que parece dar uma trégua para Rayna, talvez sua artilharia se volte contra Teddy e Peggy.

O reencontro de Deacon e sua advogada, fez ressurgir um Deacon menos amargurado e mais leve. Após vê-lo se culpar e se violentar nos últimos episódios, foi interessante vê-lo dissertar sobre seus problemas com senso de humor.

Curiosamente foi Avery quem fez Gunnar repensar sobre seus objetivos e encará-los de frente. Ao negar ceder sua música para Will, lidou com a acusação de inveja do mesmo. Inveja esta que provavelmente realmente sinta do sucesso meteórico e pouco merecido de Will. A aproximação de Gunnar e Avery pode causar uma certa estranheza, mas ao que parece a rejeição e o anonimato os transformaram em iguais.

Descobrimos também que para entrar para o elenco fixo de Nashville, você precisa saber cantar. Zoey além de servir de ouvinte para Scarlett, neste episódio soltou sua voz e promete entrar para o time dos que almejam o sucesso. Desinibida e sensual é o oposto de Scarlett que sofre com o ônus da fama.

Já Juliette passou por um turbilhão de decisões, em apenas um episódio mudou tanto de ideia que a própria atriz deve ter ficado confusa ao ler o roteiro. Ela lutou contra seu ego, contra o mercado que impõe seu repertório, contra sua decisão como artista de trilhar novos rumos e ainda lhe sobrou tempo para encontrar uma solução para divulgar seu novo álbum e ser a ponte de reconciliação de Rayna e Maddie.

Provavelmente há quem não goste deste episódio devido aos inúmeros conflitos existenciais apresentados. A música ficou em segundo plano para dar espaço aos dilemas pessoais enfrentados por todos. Particularmente achei necessário amarrar algumas histórias para dar sequência a outras e se dar uma pausa na frenética temática de vender imagem para alavancar vendas se fez necessário, acredito que tenha sido válido.

Destaque para um tema deixado de lado alguns episódios atrás, a responsabilidade de Lamar na morte de sua esposa e a vingança de Tandy. Outro ponto a ser destacado é Rayna usar como desculpa para o cancelamento da turnê com Juliette, apenas os problemas familiares, quando sabemos que ela não pode cantar no momento. A delicada performance de Maddie e Daphne fecham com chave de ouro o episódio. 


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