Monday, October 7, 2013

[Reviews] Nashville - 2.01: I Fall to Pieces



Não há juiz mais impiedoso do que nossa própria consciência


A culpa pode se tornar cruel e implacável quando não estamos preparados não só para assumir, mas principalmente aceitar nossos erros. O sentimento de culpa pode fazer com que recusemos o perdão, a compreensão ou qualquer outro tipo de sentimento do qual não nos julguemos dignos. Não há juiz mais impiedoso do que nossa própria consciência.

Nashville encerrou sua primeira temporada com um sério acidente de carro envolvendo Rayna e Deacon. Era Rayna quem dirigia o carro, mas para Deacon era como se ele mesmo estivesse na direção. Em sua consciência, a responsabilidade pelo o que aconteceu a Rayna era dele.

A segunda temporada se inicia com Rayna em coma e Deacon preso. Com Rayna hospitalizada e Deacon preso são alguns flashbacks dos dois, a novidade deste primeiro episódio. A história dos dois sempre pareceu confusa e arrastada. Era evidente que ainda se amavam e o casamento morno de Rayna e Teddy não sustentava a fidelidade ao compromisso. Sabia-se que o alcoolismo de Deacon e suas constantes visitas à reabilitação minaram o relacionamento dos dois. No entanto, a sobriedade de 13 anos acabou de certa forma o absolvendo, o que nos fazia questionar quais os motivos pelos quais não reatavam.

A ilustração do passado de ambos com o recurso dos flashbacks foi o diferencial para compreender o receio de Rayna em retomar a história dos dois. A cena em que Deacon a pede em casamento e não se recorda no dia seguinte é o símbolo de todo sofrimento que este relacionamento trouxe a Rayna. Ao descobrir estar grávida de Maddie, ela resolve dar um fim à gangorra emocional que se submetia estando com Deacon. Teddy naquele momento, não foi apenas um pai que ela deu a sua filha e sim a possibilidade de um futuro seguro e estável.

Viu-se na temporada passada um Deacon transtornado ao descobrir que era pai de Maddie. Foi na bebida que buscou refúgio, demonstrando o quanto era frágil seu equilíbrio. Após o acidente a culpa é seu novo esconderijo e ao assumi-la afasta a todos que o querem salvar. A primeira é sua sobrinha Scarlett, tratada com grosserias ao visitá-lo, em seguida sua advogada que descobre que não era ele o motorista do carro e o responsável pelo acidente.

As primeiras cenas de Juliette remeteram-me ao episódio piloto. Vê-se aqui novamente aquela estrelinha egocêntrica e detestável. Sua primeira aparição na segunda temporada nos mostra uma Juliette cruel, impiedosa e oportunista. Critica sua assistente por tê-la abandonado por motivos familiares, assistente essa que a apoiou em todos os momentos. Deixa claro que o coma de Rayna atrapalhará a estreia de seu novo álbum, já que os holofotes estão na cantora e não nela e para finalizar, aproveita-se da comoção criada pelo coma para criar uma falsa intimidade e admiração pela cantora. Para quem se recorda, a relação de ambas sempre foi tumultuada e uma aparente trégua aconteceu em uma das cenas mais delicadas da última temporada. A cena foi a do velório da mãe de Juliette, onde ambas desarmadas compartilharam suas experiências. Prometia- se naquele momento uma convivência mais respeitosa entre elas.

Quando tudo se encaminhava para um novo rumo da personagem, ignorando-se o amadurecimento da mesma durante toda a primeira temporada, ela volta a se preocupar com quem está a sua volta. Se o objetivo dos roteiristas era fazer de Juliette uma pessoa com sentimentos dúbios e duvidar de suas reais intenções, funcionou. Ao consolar Maddie e oferecer-lhe apoio, pairou a dúvida de sua sinceridade.

Scarlett, Gunnar e Avery transpareceram aquilo que provavelmente se tornará um triângulo. Will ainda precisa resolver sua sexualidade e o futuro destes personagens promete ter ainda mais destaque nos próximos episódios. Por enquanto, sabe-se apenas que Scarlett recusou o pedido de casamento de Gunnar e que ela não será mais garçonete do Bluebird. Uma nova personagem entra na trama, é Zoey uma amiga de infância de Scarlett.

Nashville promete algumas mudanças. A “bipolaridade” de Juliette torna a personagem mais interessante do que a sempre constante e correta Rayna. Acredito que a nova temporada traga mais oportunidades para a personagem. A recaída de Deacon, o acidente e o coma talvez a libertem dos fantasmas do passado e a façam seguir em frente. Os segredos do passado acorrentavam a personagem deixando-a muitas vezes tediosa. Um novo rumo para as vidas de Rayna e Deacon é o que se rascunha para esta temporada. Saindo do coma, ela inocenta Deacon que sai então da prisão. Não acredito em uma reconciliação, mas aposto em uma boa conversa que apare algumas arestas deste relacionamento tão confuso e cheio de mágoas e segredos.

Na primeira temporada, a quantidade de histórias apresentada em cada episódio tornava o ritmo frenético e muitas vezes de tirar o fôlego. Entretanto a quantidade quase sempre comprometia a qualidade, alguns tópicos mereciam maior profundidade. Boas histórias foram abordadas de maneira superficial e poderiam ter sido melhor aproveitadas. Este é um detalhe importante e que necessita ser avaliado, o dinamismo atrai e prende o telespectador, mas a superficialidade faz com que não se compre as histórias apresentadas. Acredito que esse problema será solucionado aos poucos e dosando a quantidade e priorizando a qualidade, Nashville promete grandes emoções nesta 2ª temporada.

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