Wednesday, September 25, 2013

[Reviews] Sleepy Hollow - 1.02: Blood Moon


"As cinzas dos seus descendentes serão minhas" - Cyrelda de Abbadon

Alerta de Spoilers!

A loucura de Sleepy Hollow não tem limites e quem ganha com isso, somos nós. Já no seu segundo episódio a série não diminuiu nem um pouco o ritmo e começou a frenética construção e aprofundamento de sua mitologia. Por sorte, não tivemos mais do cavaleiro sem cabeça, que decidiu tirar uma folga e dar espaço a bruxa Cyrelda de Abbadon, uma das integrantes do coven negro da antiga Sleepy Hollow.

A chave para que a série esteja tão bem de audiência e tenha perdido quase nada se comparada a exibição de seu primeiro episódio na semana passada, é o fato dela não tentar se levar tanto a sério. É certo que sempre estaremos olhando para coisas que são parte de um folclore carregado de crenças antigas de várias partes do mundo. Então, por que se levar a sério, se nós não levaremos?

Vão existir clichês? Vão, claro. Estamos falando de uma série com pano de fundo sobrenatural. Alguns clichês são necessários, fazem parte da cartilha. É bom quando eles são desprezados e coisas novas inventadas? Claro que sim. Mas não dá para ficar exigindo a (re)invenção da roda toda Fall Season. Precisamos abraçar alguns clichês e aceitar que mesmo já tendo sido usados várias vezes e por outras produções, quando bem empregados eles acabam ajudando. 

Quando Ichabod começa o episódio tendo uma visão com Katrina, vemos um clichê bem básico. O sonho que na verdade não é sonho e sim uma forma de intervenção mística. Porém, quando somos levados ao tempo presente e vemos a forma como a série decidiu mostrar a maneira com que Ichabod foi apresentado a esse novo mundo, o resultado é ótimo. Não precisamos de episódios e mais episódios com o personagem aprendendo a se acostumar com o novo mundo, esse tipo de clichê é bobo. A personalidade dele é de adaptação, os recadinhos mostrando como as coisas no quarto funcionam é a forma de nos dizerem "nosso protagonista é inteligente".

Só vi até agora um pequeno problema com a série e acho que isso existe em várias outras, independente do gênero. Existe uma necessidade muito grande de ficar explicando demais as coisas. Alguns pontos não precisam de todo esse floreio. Menos é mais, né?

Mas esse menos é mais só está reservado as explicações repetitivas, quando estamos falando de pescoços sendo quebrados para depois voltarem ao lugar, quanto mais bizarro melhor. Olha, se eu achei a cena do primeiro episódio com o capiroto andando no espelho de dar medo, ver o corpo do Andy se retorcendo com a cabeça pendurada foi pior. Que cena ótima. 

Ótimo mesmo é ver que finalmente vamos começar a assistir uma série sobrenatural que se passa nos tempos modernos e que tem monstros feitos com próteses, bruxas fazendo feitiços com bonecas, bruxas explodindo. Não que eu não goste da forma que outras séries (Supernatural e Grimm por exemplo) flertam com a realidade e deixam as coisas mais próximas dela, mas de novo, como eu disse lá em cima, já que nós não vamos levar a sério nada do que passa, nada mais justo do que ter cenas como as que tivemos, com bruxas queimadas pulando em carros e o próprio capeta passando ordens para seus lacaios.

Nós ainda não sabemos qual a verdadeira intenção do capiroto. Até agora só sabemos dos quatro cavaleiros (que fizeram uma ponta no sonho do Ichabod). Por isso, só podemos deduzir que esses "monstros da semana" são parte de um plano maior que envolve as duas irmãs e o futuro do apocalipse.

Dessa vez terei que concordar e dizer que existe sim uma grande referência a Buffy na série. Quem não conseguiu fazer a conexão entre a Abbie e a caçadora de Sunnydale? Ambas são mulheres fortes que por uma sorte (ou azar) do destino acabaram recebendo dons que as separavam do restante das outras pessoas, mas que são tratadas como heroínas, recebem uma missão. A existência da irmã da Abbie já havia sido comentada no primeiro episódio, mesmo que rapidamente, em Blood Moon vemos Jenny já adulta, internada em uma clínica para pessoas com problemas mentais e dando o bom e velho truque do remédio debaixo da lingua. You go girl! 

Sabemos que as duas irmãs terão um papel importante no futuro de Sleepy Hollow, mas o que tem se destacado até agora foi o homem. Tom Mison está ótimo no papel de Ichabod e acaba ajudando e muito a personagem Abbie, que mesmo já recebendo seu background, com infância conturbada, ex-namorado que também é policial, ainda está se saindo um pouco fraquinha. 

Sendo assim, o segundo episódio de Sleepy Hollow não deixou a desejar. O nível do primeiro foi mantido e a mitologia já começa a ser aprofundada. De forma geral, a série manteve aquilo que se propôs no seu piloto, um drama sobrenatural com situações exageradas e divertidas, sem tanta seriedade e mesmo assim boa. 


Ps. Em tempo de American Horror Story: Coven, parece que as bruxas estão com tudo esse ano. 

Ps². Aquele momento em que a Abbie diz pro fantasma do Corbin: "Fala o que está acontecendo, sem enrolação". Finalmente alguém foi direto com um fantasma, né?

Ps³. Ichabod querendo que o gigante acorde e vá para as ruas reclamar o preço dos donuts. 

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