Tuesday, September 17, 2013

[Reviews] Please Like Me - Primeira Temporada


É tipo Girls, só que gay e sem a Lena Dunham. É tipo Girls, só que melhor.

Alerta de Spoilers!


Plese Like Me é uma série australiana (e não britânica como eu pensei), criada por Josh Tomas, produzida por Josh Tomas e interpretada por Josh Tomas. Eu disse que era tipo Girls. A diferença entre as duas série é que por ser menos pretensiosa, Please Like Me é muito melhor que a versão feminista e norte americana. Infelizmente, sua primeira temporada só teve seis episódios, mas a segunda já está confirmada. 

A história é a seguinte. Depois de levar um pé na bunda da namorada, Josh recebe da garota a notícia de que ele é gay. Coisa que ele já imaginava, mas ainda não tinha certeza, apesar de todo mundo já saber. A partir de então as coisas mudam para ele, para sua família e para seus amigos. Tudo por que, além de descobrir sua sexualidade, ele também descobre que sua mãe tem depressão, após ela ter tentado se matar com licor e pílulas. 

É engraçado ver esse tipo de acontecimento, por que quando a pessoa assume sua sexualidade, não para o mundo, mas para si mesma, ela passa a ver o mundo com outros olhos. De maneira geral ela passa a aproveitar o mundo através de uma nova visão dele. As experiências são diferentes, os lugares que antes você frequentava recebem uma nova roupagem, tudo muda, a liberdade cresce. Mas para Josh não, ele tem sua primeria noite (beijando e dormindo) com um menino e já precisa voltar para a casa da mãe, por que ela precisa ser constantemente vigiada pra não realizar outra tentativa de suicídio. 

Então, você já percebe que Please Like Me não vai ser meramente uma comédia, mas sim uma verdadeira dramédia. E tudo fica mais complicado. Claro, não existem pretensões de ser uma série pioneira no assunto, ou mesmo de nos bombardear com arquétipos sexistas, raciais, machistas ou o que quer que seja. Please Like Me é carregada de sentimentos mas também é muito inocente.

E isso é bom. Eu já estou cansando de produções dramáticas pretensiosas, que querem "inventar a roda". A roda já foi inventada, tudo o que vemos hoje em dia na televisão é baseado em algo, mesmo que levemente. Por isso, quando aparecem séries novas, eu já fico preocupado com o que eles vão tentar inventar para dar um ar de superioridade para a produção.

Please Like Me é a prova de que se o trabalho é realizado de forma bem feita, bem planejada, bem executada e com um grupo de atores bons, não é preciso ser um trabalho super novo, inovador e milagroso. Só o básico, quando bem planejado é melhor do que muita pirueta. 

Primeiro de tudo, Josh aparenta quase que a frieza total. Ele não é aquele protagonista que ama todo mundo, que quer ser Nobel da paz ou algo do tipo. Não, ele é todo defeituoso e egoísta. Ele é bem próximo do que um ser humano comum é. Ele não quer voltar a morar com a mãe, ele não quer abandonar a sua recém descoberta liberdade, mas ele o faz, por obrigação.

 Ele conhece o Geoffrey, e então, você percebe que em qualquer outra série, Geoffrey seria o protagonista e Josh seria o namorado frio e distante. Geoffrey é delicado, bondoso, com problemas familiares e extremamente carente. Logo, assumimos a postura de querer que ele seja protegido, por que é essa a forma que nós entendemos as séries. Mas o nosso protagonista aqui é o Josh, que está longe de querer oferecer tudo aquilo que o Geoffrey precisa, por que ele simplesmente não quer ser essa pessoa. E é a partir desse momento que você começa a ver o Geoffrey através dos olhos do Josh, você o entende como um cara pegajoso, sentimental demais e um pouco fora do normal. 

Até mesmo o momento em que Josh é retirado do armário, quando sua tia o pega beijando Geoffrey, nós somos presentados com uma cena que faria qualquer jovem, adulto ou idoso gay, arrepiar os pelinhos do braço. Imagina, sua tia usar sua sexualidade como forma de te chantagear a ir a igreja, você vai e exatamente nesse dia o padre decide dizer que ser gay é "errado, pecado e imoral"? Imaginou? É isso o que acontece em Please Like Me, toda aquela sensação de desconforto é logo jogada para o chão quando essa mesma tia o defende e diz o que todo mundo quer ouvir. 

Mas, nem só de Josh e Geoffrey vive a série. O pai do Josh e sua nova namorada, Mae, são aqueles esteriótipos que aos poucos vão sendo quebrados até dar a visão de um casal verdadeiro. Existe essa coisa do "isso é possível", "eu já vi". As relações do homem que precisou abandonar um casamento por não ser mais feliz, mas ainda se comporta como se estivesse casado, é o forte desse triângulo. Eu vejo claramente que o pai do Josh ainda ama a ex-mulher, mas não só de amor vive um relacionamento, é preciso muito mais. E eles nos mostram isso, mostram que esse algo a mais falta.

Esses alicerces são a base de Please Like Me. O outro triângulo, Claire, Tom e Niamh é uma daquelas coisas mais estranhas e interessantes que eu já vi. Você acaba não sabendo se realmente quer que a Claire fique com o Tom, ou se ele é babaca demais para uma menina que aparentemente é tão legal. Mas você torce pela mudança. Por que a mudança é legal. Simples assim.

Existem risadas, existe aquele apego emocional com os personagens e a morte da Tia Peg foi uma das coisas mais tristes que eu já vi (depois da morte da Joyce em Buffy). Existe uma coisa muito real no texto de Please Like Me. Não é uma comédia exagerada que força situações reais e as transforma em surreais. São cenas que qualquer um pode se identificar, seguida de interpretações calorosas e divertidas e personagens que realmente, são bons.

Apesar de ter apenas seis episódios, Please Like Me fez uma ótima estréia. Ela já foi aprovada para uma segunda temporada e vendida para a exibição nos Estados Unidos, o que deve dar um hype a mais para que a série cresça. Só espero que ela continue simples e crua como está agora e que o mercado não a estrangule com a necessidade de "inventar a roda". 
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