Sunday, December 1, 2013

[Reviews] Sleepy Hollow - 1.09: Sanctuary


Série boa é série que se arrisca.


E Sleepy Hollow se arriscou de uma forma que eu nunca imaginei que ela faria. Sanctuary entra então no meu top de melhores episódios da série, fácil. Mas ainda ficou um gostinho amargo na boca depois que toda a loucura abaixou e eu consegui pensar um pouco. Sabe quando você tem a sensação de que o episódio está fora da ordem normal? Foi um ótimo episódio, mas teria sido excelente se ele tivesse sido exibido antes da captura do cavaleiro.

Tudo o que aconteceu na casa amaldiçoada foi interessante, mas teria dado uma urgência maior se tivesse vindo antes. Simples assim. Essa pequena mudança não teria alterado em nada o que vimos em Midnight Ride e Necromancer, para mim, teria sido até melhor. Imaginem Ichabod descobrir que a esposa estava grávida e que por causa do cavaleiro ele não pode viver a vida da forma que sonhou? Isso sim justificaria também o motivo pelo qual ele estava tão explosivo no interrogatório do episódio passado.

Infelizmente, decidiram colocar Sanctuary como nono episódio. Mas se desprezarmos isso, podemos elogiar e muito toda a ousadia dos redatores. Imaginar que depois da revelação e da carga emocional de Necromancer que a série conseguiria impor mais sofrimento nas costas dos nossos protagonistas, complicar muito mais tudo o que já está acontecendo e ainda nos estarrecer é mostrar o motivo pelo qual Sleepy Hollow tem tanta qualidade no rol das séries sobrenaturais.

Mais divertido ainda é notar o quão safadinhos são os redatores que decidiram colocar o nome da personagem que gera toda a investigação como Lena Gilbert, fazendo toda aquela referência a The Vampire Diaries e sua personagem principal, Elena Gilbert. É muito falta de vergonha na cara, né? Mas no bom sentido, lógico. Esse humor que passa do sútil pro exagerado é uma das características que eu mais gosto na série. De Lena Gilbert a considerações valiosas sobre o tradicional jantar de ‘Thanksgiving’, Sleepy Hollow vai construindo essas tradições de nos chocar e nos fazer rir tudo em quarenta minutos.

Se formos então considerar toda a loucura de antes, era de se esperar que a série fosse diminuir o tom, brincar um pouco com um monstro da semana, mas não é essa a Sleepy Hollow que conhecemos. Logo, o que começou como um “filler” pra abaixar o fogo da temporada enquanto nos preparamos para a reta final, acabou se transformando em um episódio essencial para a história central da série. O foco era a casa? Era. Mas isso acabou se tornando meramente um detalhe.

Mais uma vez os flashbacks foram utilizados para justificar o que estava acontecendo no tempo presente e preciso dizer que eles ainda não começaram a me cansar, mas temo pelo dia em que eles irão. A sua utilidade para a história vai se mostrando um pouco turva e sem necessidade até que a gravidez de Katrina é anunciada. Uma boa ideia também amarrarem Abbie a Ichabod de um jeito a impedir que Moloch não faça com que o destino dos dois juntos perca importância. Dessa forma, Sleepy Hollow mostra que não está disposta a perder tempo.

E também não foi perdido tempo em nos dar alguns tabefes no rosto e nos dizer que não adianta, por enquanto, ficar fazendo casais que não podem acontecer. Jenny e Irving foi aquele susto, de repente a esposa e filha do capitão aparecem nos deixando mais assustados que a pobre top chef Jenny Mills. O que foi aquilo? E logo depois Ichabod dando uns gelos na Abbie e agora a descoberta do filho. Ou seja, vamos fazer o oposto que Sleepy Hollow e pisar no freio. Só um adendo, achei um pouco desnecessário incluir mais personagens a série, mas entendo que todo mundo lá precisa estar quase perdendo alguma coisa para gerar a carga emocional necessária a conclusão da temporada. Só que e o Morales? Por onde anda? Imagino que escondido debaixo da cama com medo do John Cho.

Que maravilha é ver que mesmo com tudo o que anda acontecendo na cidade, nossos personagens ainda conseguem agir de uma forma menos clichê. Nada de esconder informações, Abbie foi bem direta com Ichabod e já anunciou que ele teve um filho com Katrina. Isso não só foi muito bom para o final do episódio, com mais uma vez, vimos Ichabod demonstrando que sua paciência é bem curta e menor ainda seu pavio.  Nosso herói é capaz de tudo para proteger sua família, e agora Abbie é parte dela de uma forma que nem mesmo eu imaginei que fosse possível, já entendo o recado bem efetivamente.

Também precisamos dar um parabéns especial para a equipe de efeitos da série. A casa assombrada foi algo bem simples, uma casa caindo aos pedaços, mas os efeitos deram todo um ar crível a tudo. As cenas em que a luz começava a oscilar e o momento em que os três personagens estavam fugindo do monstro mandioca foi agonizante. Tanto que, eu relaxei os músculos do corpo quando eles saíram de dentro da parede e mais ainda quando saíram de dentro da casa. É esse tipo de sensação que eu quero quando assisto a uma série.

E se você estava acostumado com árvores benevolentes ao estilo Senhor dos Anéis, sinto dizer, nosso Barbárvore é bem mais violento e sanguinário do que o esperado. Sua presença no episódio é bem explicada, ele foi enviado lá para capturar Katrina e possibilitar que o “prêmio” do cavaleiro sem cabeça fosse guardado. Nenhum mistério aqui.

Logo, todo o episódio foi muito bem orquestrado e o caminho vai se fechando, assim como o clima para Ichabod, Abbie, Jenny e Irving. Falta pouco para a season finale e se você está tão ansioso quanto eu, saiba que o próximo episódio contará com o retorno de John Noble.

- Os colonos não tinham açúcar para fazer um molho, imagine então uma torta – Ichabod destruindo o thanksgiving.

- Apesar da nomenclatura do estabelecimento, essa não se parece com nenhuma comida escocesa que eu já comi – Ichabod sendo preconceituoso com o Mc’Donnalds.

- George Clooney “Um irlandês?” – Ichabod sendo inglês.


Share:

Disqus for O Mundo das Séries

BTemplates.com

Labels

Blog Archive